As turbulências nos mercados financeiros internacionais não vão ditar o rumo das taxas de juros no Brasil e, sim, a inflação, garantiu, ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. ?Os juros têm a ver exclusivamente com a taxa de inflação. Se ela estiver comportada, dentro do centro da meta, então terá espaço para (o juro) continuar em queda.?

O ministro admitiu, porém, que se houver um repique inflacionário, o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nos próximos dias 4 e 5 de setembro, terá de reavaliar as novas condições da economia. A meta de inflação fixada para este ano pelo Banco Central (BC) é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Esta semana, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de agosto – prévia da inflação do mês – veio acima das expectativas dos analistas financeiros. Com os dados mais salgados de inflação e o agravamento da crise, ganharam força no mercado financeiro as apostas de que o governo adotará uma atitude mais conservadora em relação aos juros. Há analistas prevendo o fim do ciclo de queda da taxa Selic, iniciado em setembro de 2005, mas a maioria ainda aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic.