O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, embarcou nesta segunda-feira para Buenos Aires, onde manterá reuniões com as autoridades do governo argentino para discutir a relação bilateral. A visita de Pimentel não consta na agenda de nenhum dos interlocutores argentinos com o Brasil, como os ministros Julio De Vido (Planejamento), Débora Giorgi (Indústria) e Hernán de Lorenzino (Economia), ou os secretários de Comércio Interior, Guillermo Moreno, e de Política Econômica, Axel Kicillof.

A agenda de Pimentel, segundo a assessoria do ministério, não está fechada, mas estima-se que ele discuta com os argentinos sobre o comércio bilateral e as bases para a prorrogação do atual acordo automobilístico. A reunião está marcada para as 16h30 (horário de Brasília). O encontro ocorre em meio ao distanciamento entre os dois sócios e de um ambiente hostil de negócios na Argentina.

Há duas semanas, o governo da presidente Cristina Kirchner anunciou a retomada da concessão de duas linhas ferroviárias de carga da América Latina Logística (ALL). O governo de Cristina alegou uma série de supostos descumprimentos de contratos para justificar a medida. Antes disso, em março, a Vale anunciou a suspensão do projeto de US$ 5,9 bilhões para explorar potássio na Província de Mendoza. A Petrobras esteve a ponto de fechar um acordo de venda de seus ativos no país ao empresário próximo ao governo argentino, Cristóbal López. Depois de vários questionamentos na imprensa o preço e o comprador. O negócio foi cancelado pela Petrobras, mas a venda dos ativos continua nos planos da companhia.

O clima adverso já vinha rondando a relação desde fevereiro do ano passado, quando o governo adotou as Declarações Juramentadas Antecipadas de Importações (DJAI) que implicam em licenças para todas as importações e prejudicam, especialmente, os produtos de origem brasileira. As barreiras e a retração da demanda argentina levaram a um retrocesso do superávit brasileiro com o sócio, de US$ 5,6 bilhões a US$ 1,5 bilhão. Em abril, Cristina Kirchner recebeu a visita de Dilma Rousseff, em um encontro que durou quase sete horas.

Ao final do encontro não houve nenhum comunicado oficial sobre o avanço de qualquer negociação. A Argentina tenta obter financiamento do BNDES para obras de infraestrutura no país, antes das eleições parlamentares de outubro próximo, as quais são cruciais para definir o futuro político de Cristina. Porém, fonte do governo brasileiro informou que qualquer negociação com a Argentina passará pelo fim das barreiras. “O governo brasileiro só vai se sentar a negociar com uma proposta concreta de acabar com as DJAI”, disse a fonte.

A Argentina também quer prorrogar o acordo do setor automotivo, que terminaria com o comércio administrado no dia 30 de junho. Pelas atuais regras, o comércio bilateral seria liberalizado a partir do dia primeiro de julho, mas isso só ocorreria dentro de prazo mínimo de um ano. A prorrogação seria por um período entre 12 a 18 meses.