Os ministros de Finanças da zona do euro abriram as portas para conceder mais poderes ao fundo soberano montado especificamente para resgatar os países do bloco, numa tentativa de evitar que a crise fiscal afete grandes economias europeias, como Espanha e Itália.

Os ministros disseram que vão estudar medidas para aumentar a “flexibilidade” e o “escopo” da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês), fundo de 440 bilhões de euros criado no final do ano passado com a finalidade de emprestar dinheiro para as nações da zona do euro. Uma das novas medidas pode envolver uma proposta descartada anteriormente que previa conceder à EFSF autoridade para comprar bônus soberanos das nações do bloco monetário no mercado secundário. Atualmente, o fundo só pode conceder empréstimos diretos aos países da área do euro.

As autoridades também disseram que vão estudar a redução nas taxas de juro e o alongamento do prazo dos empréstimos concedidos pela EFSF. “Tudo será feito para garantir a estabilidade financeira da zona do euro”, disse Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, que reúne os ministros de Finanças do bloco monetário.

Os ministros também não desistiram de dividir com o setor privado o ônus de um eventual segundo pacote de resgate à Grécia. No comunicado divulgado após o final da reunião, eles afirmaram que o Banco Central Europeu (BCE) continua sendo contrário à possibilidade de um default grego, que seria a possível consequência de um plano apresentado pela França segundo o qual os credores privados contribuiriam voluntariamente com a rolagem da dívida da Grécia.

O comunicado, no entanto, não afirma que os países da zona do euro acreditam que um evento de crédito ou default seletivo deveria ser evitado e também não diz que uma potencial contribuição dos credores privados deveria ser voluntária. Esses dois elementos estavam presentes em comunicados anteriores do Eurogrupo. As mudanças são provavelmente uma concessão às pressões da Alemanha, da Holanda, da Finlândia e da Áustria, que insistem em envolver o setor privado num próximo pacote de resgate da Grécia. As informações são da Dow Jones.