Brasília – O porcentual de 20% de álcool na gasolina será aumentado somente em junho. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse ontem que o governo pretende manter o acordo feito com os produtores de álcool para que somente naquele mês haja alteração na mistura. Em fevereiro, o ministro admitiu que o porcentual poderia ser alterado em maio. Durante audiência conjunta da Comissão de Assuntos Econômicos e na Comissão de Assuntos Sociais, no Senado, o ministro informou que os produtores de álcool sinalizaram que a boa produção deste ano permitiria a antecipação do aumento da mistura do álcool à gasolina.

“A posição do governo é a de manter o acordo”, anunciou Rodrigues. A decisão de reduzir o porcentual da mistura de 25% para 20% foi tomada em janeiro, quando os usineiros da Região Centro-Sul comprometeram-se a antecipar a safra de álcool de 1.º de maio para final de março. Com isso, haveria uma oferta adicional de 600 milhões de litros até o final de abril, volume que cobre com folga a falta no mercado estimada em 400 milhões de litros.

Rodrigues afirmou que não há como antecipar se haverá ou uma redução do preço da gasolina a partir de junho, em razão do aumento do álcool na mistura. O ministro lembrou, porém, que quando houve a redução do álcool na mistura os preços da gasolina aumentaram em cerca de 2%, e ele disse esperar que, agora, haja coerência dos revendedores de combustíveis. “Não é uma questão de o governo cobrar, é uma questão de ética.”

Seguro

O ministro afirmou também que espera uma aprovação rápida do projeto de lei que estabelecerá seguro rural no País. Ele considera injustificável um país do porte do Brasil ainda não ter um mecanismo desta natureza.

Diante da expectativa de uma aceleração na tramitação do projeto que já está no Congresso, Rodrigues informou que ontem, em São Paulo, teve uma reunião com representantes da Febraban, do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e outras entidades de resseguros internacionais para dar início a um grupo de trabalho que será responsável pela regulamentação do seguro rural. Para Rodrigues, o seguro rural é “prioridade zero”.

Durante a apresentação aos senadores, ele afirmou que os desafios que sua pasta terá de enfrentar nos próximos anos são o programa Fome Zero, o aumento do consumo interno de alimentos, a criação de empregos no setor e a proteção da agricultura familiar. Para enfrentar esses desafios o Ministério agirá em três frentes de trabalho: políticas públicas, que incluem principalmente a implementação do seguro rural; organização das cadeias produtivas, que já conta com o Conselho Nacional do Agronegócio (Conagro); e negociações internacionais, com ênfase na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e as relações entre União Européia e Mercosul.

Rodrigues disse ainda que os problemas que vêm sendo enfrentados para a aprovação de uma pauta sobre temas agrícolas na Organização Mundial de Comércio (OMC) colocam em risco a próxima rodada de negociação, em setembro, em Cancún, no México.

Na sua opinião, a guerra do Iraque provocou uma certa divisão na União Européia que poderá, de alguma forma, beneficiar o Brasil. A UE, explicou, terá de fazer uma ação de reordenamento de seus países, o que poderá proporcionar ações contrárias às posições defendidas pelos Estados Unidos nas negociações. “Talvez isso se traduza em ações que flexibilizem as negociações agrícolas entre a UE e o Mercosul, dificultando, por outro lado, o debate do tema na Alca.”