As montadoras “não pediram, nem vão pedir” novas desonerações ao governo, afirmou nesta quarta-feira, 7, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Ele concordou quando uma pessoa comentou que, agora, os tempos são outros.

Assim, as 800 demissões na Volkswagen, que desataram uma greve no ABC paulista, não serão instrumento de pressão para medidas de socorro. Pelo contrário, ele procurou baixar a fervura em torno do assunto ao afirmar que as demissões ainda podem ser revertidas. As vagas, explicou, serão fechadas em fevereiro. “Há esse tempo de negociação possível”, afirmou. “Tenho convicção que as partes chegarão a um novo acordo.”

Moan aproveitou a cerimônia de posse de Armando Monteiro Neto no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para conversar com o ministro do Trabalho, Manoel Dias. O caso da Volks vem sendo tratado como localizado.

“Não tenho informação de nenhuma outra associada nessa situação”, disse. O que há, explicou, é “um processo natural de ajuste da crise cíclica pela qual o setor passa”. As montadoras, segundo ele, sofreram uma redução de mais de 40% nas exportações, o que gerou uma queda da produção em torno de 15%. O quadro não mudará tão rapidamente. “Devemos enfrentar um primeiro semestre muito difícil em 2015, mas acredito que a situação vai melhorar um pouco no segundo semestre. Esperamos que, na média, terminemos este ano ao menos iguais a 2014.”

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), movimento sindical alinhado ao PT, procurou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para oferecer “apoio irrestrito” à greve. Entretanto, a presidente Dilma Rousseff não deve receber pressão dos cutistas por socorro do governo ao setor. Ao contrário, todos os esforços serão concentrados para apertar as montadoras.

“Nenhum setor recebeu tantos incentivos do governo quanto o automotivo. Portanto, por enquanto, a discussão é apenas para que as empresas cumpram acordo de não demitir até 2016. Agora, estão dispensando os trabalhadores só porque as vendas caíram no começo do ano – o que é um fato que sempre acontece”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” a vice-presidente da CUT, Carmen Foro.