Denúncias de acidentes e doenças ocupacionais em montadoras de carros vêm crescendo de forma assustadora junto à Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR). Na última, encaminhada por um trabalhador no final do mês de agosto, mostra que apenas no primeiro semestre desse ano, em uma montadora da região, aconteceram 642 acidentes de trabalho. Segundo o denunciante, no setor de armação foram 384 acidentes; na montagem aconteceram 156; no setor de pintura 65; e na estamparia 37 acidentes de trabalho.

Nuncio Manalla, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, que representa a entidade sindical no Conselho Consultivo da Previdência Social, afirmou em uma visita à DRT, que a Volkswagen, nos quatro anos que está atuando no Paraná, já emitiu 3.098 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT?s). Dessas, o INSS teria concedido 174 benefícios por lesões decorrentes do trabalho. A assessoria de imprensa da montadora afirmou que não teve acesso ao histórico de CAT?s, mas informou que atualmente há 86 funcionários afastados por acidente de trabalho, de um total de 4,2 mil funcionários. Já a Renault, em 2004, abriu 112 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT?s), sendo que destas 89 foram afastamentos por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort).

Segundo o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, estes números são muito maiores e mais graves, pois muitas empresas não fazem a CAT (Comunicação de Acidentes de Trabalho) e usam de contratos por tempo determinado e de rotatividade de trabalhadores para não caracterizar a doença ocupacional, impossibilitando a cobertura previdenciária, deixando os trabalhadores em condições de abandono. ?Tenho recebido trabalhadores jovens em meu gabinete que me deixam emocionados com a situação de saúde, pois se encontram sem cobertura previdenciária e impossibilitados de voltar ao mercado de trabalho?, lamenta.

Para o delegado do Trabalho, isso é um crime revoltante. ?Não posso concordar que empresas que vieram se instalar no Paraná, à custa de renúncia fiscal e com apoio de crédito, estejam cometendo um crime com os nossos trabalhadores?, complementa Serathiuk, que diz ainda que é preciso dar um basta nesta situação.

Frigoríficos e cooperativas

Esta situação não é muito diferente em parte do setor dos frigoríficos e cooperativas. ?Vejo gente soltando foguete com crescimento das exportações do setor, sem levar em conta o subproduto do crescimento, que é a falta de investimento em políticas de prevenção de acidentes, deixando trabalhadores em situação de desamparo. Tem gente que recebe homenagem e não faz CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)?, fala Serathiuk.