São Paulo – Pela terceira vez neste ano, a Mercedes-Benz, do grupo DaimlerChrysler, anuncia contratações para a fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Neste mês, a empresa vai ampliar seu quadro em 175 funcionários. Em janeiro e fevereiro a unidade, que produz caminhões, ônibus e peças, já havia aberto 555 vagas. Na sexta-feira, a General Motors comunicou a abertura de 450 postos em São José dos Campos; e sua coligada Powertrain, outros 50. Aos poucos, a indústria automobilística, que desde 2000 fechou 6,7 mil postos de trabalho, volta a repor vagas.

Nos dois primeiros meses do ano, o setor contratou 1.106 trabalhadores, parte deles na área de máquinas agrícolas. O número foi ampliado em março, de acordo com dados que serão divulgados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Os números de abril devem dar novo salto. Além da Mercedes e da GM de São José, há previsão de contratações na GM de São Caetano do Sul.

Em 2000, o setor empregava 98,6 mil pessoas. Neste ano, até fevereiro, eram 91,9 mil, depois de ter chegado a 90,8 mil postos no ano passado, o pior nível desde os anos 70. “O mercado de caminhões está aquecido e as exportações também puxam a produção”, diz o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Tarcisio Secoli.

Na carona das montadoras, as autopeças também ampliam a mão-de-obra. No ABC, foram abertas 900 vagas nos dois primeiros meses do ano.

A direção da Mercedes-Benz informa que os novos postos, inicialmente por prazo de um ano, vão reforçar a produção de motores para exportação aos Estados Unidos, e de veículos para Argentina e Chile, que ampliaram encomendas. A unidade emprega atualmente 9,8 mil trabalhadores. Mesmo com as contratações, o coordenador da Comissão de Fábrica, Valter Sanches, lembra que a empresa continua negociando trabalho extra aos sábados e feriados.

A GM informa que as contratações em São José em princípio são por prazo de seis meses, para atender uma bolha na produção do complexo. A montadora convocou ainda funcionários para trabalhar em três sábados em abril, maio e junho. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Francisco Nunes, há negociações para abertura de postos também no ABC. Em janeiro, a fábrica recebeu pelo menos 60 reforços.

Vendas

No primeiro trimestre, foram vendidos 353,9 mil veículos, 6,2% a mais do que em igual período do ano passado. Só em março foram 141,7 mil unidades, 38% a mais ante março de 2003. A produção, por conta das exportações, deve ter resultado ainda melhor.

Na Ford do ABC, as férias de uma semana previstas para este mês estão suspensas. A Volkswagen, que fez ampla reestruturação, já enfrenta problemas. Na quinta-feira, 2,5 mil funcionários da montagem final pararam por duas horas em protesto contra a falta de pessoal. O secretário do Sindicato dos Metalúrgicos, Francisco Duarte, diz que a área opera no limite. Trabalhadores pedem a volta de 306 funcionários que estão no Centro de Formação para futuro desligamento.