Os acidentes de trabalho atingiram 28,7 mil pessoas no Paraná em 2002, das quais 23,6 mil ficaram afastadas do trabalho, temporária ou permanentemente. Outras 230 pessoas morreram durante o desempenho da atividade. Em todo o País, foram 2.898 mortes e 331,4 mil casos de incapacidade para o trabalho. Os números são da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho) e foram discutidos ontem durante evento na Procuradoria Geral do Trabalho, em Curitiba, em comemoração ao Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Para o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, o que mais choca é o fato de os dados serem irreais. “A informalidade não está contabilizada. Portanto, os dados não são exatos”, afirmou. O delegado criticou o excesso de órgãos públicos incumbidos de fiscalizar a segurança no trabalho. “Temos que rediscutir o modelo adotado e criar talvez um órgão único de fiscalização. Existe uma sobreposição de órgãos, que acabam sendo ineficientes”, criticou, referindo-se ao trabalho conjunto exercido pelo Ministério da Saúde, do Meio Ambiente, Ministério Público Federal, do Trabalho, entre outros. “Hoje não há um inventário, um cadastro que unifique todas as informações.” Uma das sugestões é criar o Código Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho.

Quanto ao mercado informal, Serathiuk afirmou que a situação se torna ainda mais grave, uma vez que em casos de acidente de trabalho não existe cobertura previdenciária. “É uma transferência do problema para o futuro. Um déficit social lá na frente.”

Madeira

No Paraná, a indústria da madeira é a que registra o maior número de casos, segundo o levantamento, apesar de não concentrar o maior número de empregados. Dos 46,3 mil trabalhadores do setor, 2.049 se acidentaram e 11 morreram. A seguir vêm os setores da industrialização de alimentos, construção, montadoras e autopeças, entre vários outros. No mesmo período, a agricultura ocupou a sétima posição. Uma das explicações é a informalidade, que em algumas atividades chega a 100%.

“Infelizmente, os números só vêm aumentando”, lamentou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Marcenaria, Lauro Araújo Pimentel. Segundo ele, o problema maior está em fábricas pequenas de móveis, que não investem em treinamento nem equipamentos de segurança. “Muitos serventes são colocados para trabalhar nas máquinas, sem qualquer treinamento”, revelou Pimentel. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Panificação, Gilmar Servidoni, confirmou o aumento de casos. “Na panificação, os acidentes são sobretudo com os cilindros”, afirmou. Além da falta de treinamento e investimento, Servidoni acredita que outro grande problema é a falta de registro dos estabelecimentos.

Brasil

De acordo com a Fundacentro, em 2002 foram registrados 331,4 mil casos de incapacidade para o trabalho (temporário ou permanente) e 2.898 mortes. Também foram constatados mais de 20,8 mil casos de doenças relacionadas ao exercício da profissão. De 1970 até 2001 morreram no País mais de 127 mil trabalhadores e 308,6 mil adquiriram doenças profissionais.