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Cid Cordeiro, do Dieese: áreas são menos remuneradas.

Elas são a maioria entre a população brasileira, têm maior grau de instrução, mas sua remuneração ainda é menor do que a dos homens. Enquanto o salário médio dos trabalhadores do sexo masculino era R$ 831,98, em 2005, entre as do sexo feminino ficou em R$ 707,51, ou seja, diferença de 35,5%. No Paraná, a variação é ainda maior: de 42,23% – com a média salarial de R$ 965,00 entre os homens e R$ 557,48 entre as mulheres. Apesar da grande diferença, a situação já foi pior. Em 2002, por exemplo, a disparidade dos rendimentos entre os gêneros chegava a 45% no Estado.  

?Reconhecemos que houve um avanço, mas ainda há muito a avançar?, apontou o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR), que divulgou ontem os dados sobre a mulher no mercado de trabalho, juntamente com a presidente do Sindicato dos Bancários da Grande Curitiba, Marisa Stédile.

O economista destacou que a diferença salarial de 42,23% no Paraná se refere ao mercado formal, informal (sem carteira de trabalho) e por conta própria. No mercado formal, a diferença cai para 19%, com o salário médio de R$ 1.104,00 para os homens e R$ 894,00 para as mulheres. ?No mercado formal, há o piso salarial de categorias como jornalistas, engenheiros, que assegura a mesma remuneração para ambos. Já no mercado informal, não há esta proteção?, comentou.

Para Marisa Stédile, a disparidade salarial se deve ao fato de as mulheres atuarem em profissões menos remuneradas, como o trabalho doméstico e de apoio à educação e saúde. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, indicam que entre 2002 e 2005, o salário médio da mulher paranaense avançou 45,83%, enquanto o do homem, 37,12%. ?As mulheres estão em ocupações remuneradas com base no salário mínimo. É o caso das empregadas domésticas?, destacou.

Mais instruídas

Outro dado que chama a atenção é o fato de as mulheres serem menos remuneradas, apesar do maior grau de instrução. Enquanto 25,54% das mulheres paranaenses no mercado de trabalho terem ensino superior completo ou incompleto, entre os homens esse índice cai para 13,12%. Além disso, a grande concentração de homens (quase 45%) que estão no mercado de trabalho tem apenas o ensino fundamental, enquanto a maior parte das mulheres (46%) tem ensino médio completo ou incompleto.

Na Grande Curitiba, a proporção de mulheres com ensino superior é ainda maior: de 32% contra 18% dos homens. Apesar disso, a diferença salarial entre eles é de quase 42%: R$ 3.605,79 entre os homens contra R$ 2.109,00 entre as mulheres. ?É um dado extremamente preocupante?, destacou Marisa Stédile.

Dados da Rais indicam ainda que entre os trabalhadores paranaenses que ganham mais de 20 salários mínimos – ou seja, acima de R$ 7 mil, conforme o salário mínimo vigente -, as mulheres representam apenas 23,32%. Já entre os que ganham até cinco salários mínimos (R$ 1.750,00), as mulheres têm participação de quase 42%.

?A mulher é olhada como alguém que não pode se dedicar ao trabalho em período integral. Há a questão da maternidade, e o patronal acredita que isso seja um obstáculo para a ascensão hierárquica?, apontou Marisa. ?A progressão funcional da mulher é mais difícil. Há menos mulheres em cargos de chefia; os movimentos sindicais tentam reverter isso?, acrescentou Cid Cordeiro.

Setor bancário

No setor bancário, a discrepância salarial entre homens e mulheres é igualmente elevado. No Paraná, a diferença chega a 30% – segunda maior variação da categoria no País, atrás apenas do Acre, com diferença de 32,40%. No ranking nacional, a menor diferença salarial entre os bancários do sexo masculino e feminino ocorre no Pará (variação de 8,79%). ?No Pará, há praticamente só bancos públicos?, justificou a presidente do Sindicato dos Bancários.

No Paraná, o salário médio dos bancários do sexo masculino é R$ 3.738,00 contra R$ 2.616,00 do sexo feminino. Em relação às funções, menos de 20% dos cargos de gerência são ocupados por mulheres; todos os demais são homens. O rendimento mensal dos homens nesta função é de aproximadamente R$ 6,7 mil. Já no cargo de escriturário, onde o salário médio é de R$ 2,6 mil, as mulheres representam quase 50%.