Foto: Anderson Tozato

Presença feminina é sentida em todas as profissões.

A participação da mulher no mercado de trabalho brasileiro vem aumentando ao longo dos anos. Em 1990, a parcela feminina chegava a 34,4%. Dezesseis anos depois, as mulheres ocupavam quase 42% dos postos de trabalho. A mão-de-obra feminina está permeada em todos os setores. São raros, atualmente, os segmentos exclusivamente masculinos. Elas estão cada vez mais conquistando posições. No entanto, ainda falta muito para chegar na igualdade com os homens, pelo menos neste aspecto.

A inserção da mulher no mercado de trabalho teve um boom na década de 1990. A necessidade levou muitas mulheres a procurar um emprego. Com a queda do poder aquisitivo e o alto número de desempregados na época, esposas, mães e filhas precisaram ajudar no orçamento familiar. Posteriormente, muitas mulheres se divorciaram dos seus maridos, o que as empurrou para o mercado. Além disso, existem as mães solteiras, que também necessitam de trabalho para sustentar a família.

Este panorama é ainda mais acentuado em grandes centros urbanos, influenciado também pelo alto custo de vida e pela maior formalização do emprego. No caso da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a participação da mulher no mercado de trabalho é muito forte. O índice chega a 44,3% dos postos de trabalho da RMC, contra 40,1% no interior do Estado. A média do Paraná é de 41,9%. Os dados foram elaborados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base em pesquisas do Ministério do Trabalho.

As trabalhadoras enfrentam ainda dois grandes problemas: a diferença salarial em relação aos homens e os postos de trabalho que normalmente ocupam. ?As mulheres estão principalmente em empregos com baixa remuneração e com mais vulnerabilidade. Quando homens e mulheres estão dentro de um mesmo segmento, esta diferença persiste porque os cargos com melhores salários são pagos aos homens. A diferença salarial já foi pior, mas persiste?, explica Sandro Silva, economista do Dieese.

A participação das mulheres é muito boa em determinados segmentos. Na indústria de vestuário e artefatos de tecidos, por exemplo, as mulheres ocupam quase 69% dos postos de trabalho. Dentro deste mesmo setor, o salário médio para homens é de R$ 693, enquanto o salário médio das mulheres chega a R$ 518. A diferença salarial alcança 25,25%. O oposto acontece na indústria do material de transporte, no qual a participação feminina é de 10,2%. No entanto, os valores pagos para homens (R$ 2.107) e para mulheres (R$ 2.051) são muito próximos. Os números são referentes ao Paraná.

Presença é maior como profissional liberal

Segundo dados do Ministério do Trabalho, as trabalhadoras paranaenses são maioria em cinco setores: indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos (68,9% dos postos de trabalho); serviços de alojamento e alimentação (56,7%); serviços médicos, odontológicos e veterinários (79,15%); ensino (61,32%); e na administração pública (63,83%). ?Especificamente na administração pública, as mulheres têm muito espaço porque se saem melhor nos concursos públicos. Isto porque as mulheres possuem mais escolaridade do que os homens?, afirma Sandro Silva, economista do Dieese. Quanto maior a escolaridade, maior o salário. Mas as mulheres não conseguem avançar tanto neste sentido porque ainda não chegam aos cargos chefia.

A indústria química de produtos farmacêuticos, veterinários e de perfumaria é o setor que apresenta a maior diferença salarial entre homens e mulheres – 40,94%. A participação feminina nos postos de trabalho deste segmento é de 28,7%. A construção civil é a área com menor número de mulheres empregadas. A participação neste mercado é de apenas 5,8%. Entretanto, as mulheres recebem mais do que os homens. A média salarial é de R$ 882 para as trabalhadoras e R$ 815 para os trabalhadores.

Serviços Domésticos

Muitas mulheres ainda praticam uma ?jornada dupla? de trabalho. Quando chegam em casa, cuidam das atividades domésticas. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nove em cada dez mulheres realizam os afazeres do lar. A dedicação feminina dentro de casa chega a 24,8 horas semanais. (JC)