Os nematoides (vermes que parasitam plantas) são um grave problema para a agricultura em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Eles atacam praticamente todas as grandes regiões produtoras do país e são responsáveis por perdas totais da produção em algumas culturas. O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) mostra no Show Rural, em Cascavel, que a solução desse problema pode ser a rotação de culturas, uma técnica simples e fácil de colocar em prática.

Segundo os pesquisadores Ademir Calegari e Andressa Cristina Machado, diversos estudos já foram feitos na área, mas nenhum com a abrangência do que vem sendo conduzido no Iapar. “Nós estamos estudando o maior número de espécies de plantas de cobertura para controle da maior quantidade de nematoides”, diz Calegari.

Andressa Machado salienta que dados preliminares mostraram que algumas espécies de crotalária, guandu anão Iapar 43 e o milheto diminuíram em até 80% a população de nematoides. “É sempre bom lembrar que não é possível exterminá-los completamente, mas é possível controlá-los”, ratifica a pesquisadora, que fornece outro dado preocupante. “O prejuízo pode chegar a 60% em áreas mais suscetíveis, como propriedades irrigadas ou com solos mais leves”.

Eles afirmam que para ter sucesso o produtor deve seguir alguns passos. “Antes de qualquer coisa, fazer um diagnóstico do tipo de nematoides e de solo na propriedade. Depois é preciso fazer um histórico da área, das cultivares já plantadas e de quais espécies de nematoides já habitaram aquele local”, elenca Calegari. Ele afirma ainda que em seguida é só seguir uma estratégia para enfrentar o problema.

O pesquisador reforça que a falta de rotação de cultura é uma das principais razões para o nematoide ter avançado tanto nas lavouras paranaenses. Para eles o produtor, muitas vezes, deixa de fazê-la por questões econômicas e paga um preço alto por isso. “Em algumas ocasiões, o agricultor percebe que há uma queda na produtividade, mas não relaciona com nematoide. Quando ele se dá conta da situação, a infestação já é grande demais”, declara Andressa Machado.

Para ela, o certo é tomar providências preventivas, antes que a situação fique crítica, porque o nematoide é de difícil controle. Nesse contexto, entra a rotação de cultura. “Sempre falamos de plantas de cobertura nesse evento, mas é a primeira vez que vamos relacionar esse tema a controle de nematoide durante a Show Rural. Queremos, com isso, contribuir para que o Paraná não sofra com essa doença como ocorre em outros estados”, esclarece Calegari.

Laboratório

Pela primeira vez, o Iapar montou um laboratório de nematologia no Show Rural. Segundo Andressa Machado, a grande demanda levou a instituição a ter uma área específica para falar do tema.

Caixas de acrílico com plantas vão ajudar nas explicações. “Queremos mostrar os diferentes sintomas que os nematoides causam para que o produtor possa identificá-los”, afirma. A pesquisadora salienta que nem sempre isso é fácil de fazer porque os nematoides se manifestam de muitas formas, desde as “galhas”, a mais tradicional, até o escurecimento da raiz. “É muito melhor para o agricultor ver ‘ao vivo’ do que através de uma foto, por exemplo”, diz.