As maiores economias do mundo devem evitar usar suas taxas de câmbio para crescer às custas de seus parceiros comerciais, recomendou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner. Os membros do grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20) deveriam “comprometer-se a se abster de políticas cambiais elaboradas para conseguir vantagem competitiva, seja pelo enfraquecimento de suas moedas ou por impedir a apreciação de uma moeda subvalorizada”, disse Geithner, em carta enviada aos seus colegas do G-20 antes do encontro na Coreia do Sul.

Geithner evitou nomear países que ele suspeita terem adotado tais políticas, mas suas declarações vêm em meio à intensificação da vigilância sobre a China, cuja decisão do começo deste ano de permitir maior flexibilidade ao yuan até agora não levou ao tipo de apreciação que os EUA e muitos países europeus consideram necessária. “Os mercados emergentes do G-20 com moedas significativamente subvalorizadas e adequadas reservas preventivas precisam permitir que suas taxas de câmbio ao longo do tempo se ajustem plenamente a níveis consistentes com os fundamentos econômicos”, disse.

Mais especificamente, Geithner recomendou que os membros do G-20 procurem manter seus desequilíbrios externos dentro de um nível definido em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele pediu o aumento da poupança nacional e da competitividade internacional entre países deficitários, como os EUA, e mudanças em “políticas cambiais, fiscais e estruturais para impulsionar as fontes domésticas do crescimento” nos países com grandes superávits externos.

Geithner disse que “algumas exceções podem ser necessárias para os países que são estruturalmente grandes exportadores de matérias-primas”, formulação que no contexto do G-20 se aplica à Arábia Saudita e, em menor escala, à Rússia. A Arábia Saudita teve no ano passado o maior superávit em conta corrente do G-20, de 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, os superávits mais polêmicos são os gerados pelos setores industriais da China, da Alemanha e do Japão, países que quase certamente vão se opor à iniciativa de Geithner.

O secretário também conclamou o G-20 a ampliar o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) no “monitoramento da evolução de nossos compromissos”, por meio da emissão de uma revisão semestral do cumprimento da agenda declarada do grupo. Ele pediu que seus colegas do G-20 assinem um declaração final sobre as reformas na governança do FMI, uma agenda para dar mais voz às economias emergentes nas decisões do fundo. As informações são da Dow Jones.