Brasília  – Atraídos pelo baixo custo da terra, da mão-de-obra barata e do grande potencial do mercado interno e externo, agricultores e empresas norte-americanas elegeram o cerrado brasileiro como sua nova fronteira agrícola. Muitos já estão cultivando no País soja, milho, algodão, café e frutas. Eles estão chegando em grupos cada vez maiores – no próximo mês estão sendo esperados 60 agricultores – para conhecer a região, comprar terras e fincar raízes. Enquanto o preço da terra nos Estados Unidos pode custar até US$ 3 mil o hectare, por aqui pode-se comprar a terra bruta até por US$ 600 o hectare.

Os agricultores norte-americanos que estão invadindo o cerrado não chegam no escuro. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou um documento no primeiro semestre destacando o potencial da agricultura no Brasil e recomendando a compra de terras no País. Segundo o relatório, existem vários motivos para se investir na agricultura brasileira. São citados o avanço da tecnologia agrícola e a pesquisa dentro dos padrões mundiais, o baixo custo de mão-de-obra e de produção, as terras abundantes a preços baixos e o pessoal profissionalmente capaz em todo o País.

Em contrapartida, diz o documento, pode-se vislumbrar problemas com a economia brasileira, queda nos preços mundiais das “commodities”, possibilidade de novos impostos sobre exportações e paralisação dos investimentos em infra-estrutura. Mesmo assim, o texto destaca que o risco é baixo e as vantagens, grandes.

A propaganda tem surtido efeito. Só a Prefeitura do município de Luiz Eduardo Magalhães (BA), que foi desmembrado de Barreiras em 2001, já contabiliza mais de 40 famílias e oito empresas do ramo do agronegócio, todos oriundos dos EUA, em seu território. Os norte-americanos estão também distribuídos ao longo de toda a divisa de Tocantins e Goiás.

– Além de agregar tecnologia à agricultura brasileira eles trazem investimentos e vão ajudar a abrir as portas do mercado americano aos produtos brasileiros – diz o prefeito, Oziel Oliveira.