Os mineiros finalmente conseguiram chegar à presidência da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), onde, desde 1954, há uma espécie de rodízio entre paulistas e nordestinos. O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do grupo Orteng, Robson Andrade, será o candidato da chapa única nas eleições para suceder o atual presidente, o deputado federal Armando Monteiro Neto, de Pernambuco.

A eleição será em maio e o novo presidente toma posse em outubro. Na prática, porém, Andrade poderá assumir o comando da CNI a partir de 1º de junho. Armando Monteiro Neto deixará o cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo PTB. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que é vice-presidente, deveria assumir o lugar como interino. Mas também tem pretensões políticas e vai se afastar da CNI.

Nos bastidores da política mineira, há quem garanta que a ascensão de Robson tem relação com as pretensões nacionais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Conhecido por implementar um modelo de gestão pública em parceria com o empresariado mineiro, Aécio precisava ter como aliada uma entidade de repercussão nacional. E, em termos de repercussão, só mesmo a CNI para conseguir espaço na mídia equivalente ao da Fiesp, já que a voz da Fiemg não costuma ser ouvida fora de Minas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.