O número de agências bancárias no País andou na contramão da expansão do sistema financeiro nacional, indica um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada à Presidência da República, divulgado nesta terça-feira. Em 17 anos, de 1990 a 2007, o total de agências caiu 8,4%, passando de 19.996 para 18.308, o que representa uma quantidade de 1.688 agências a menos. Ainda segundo o estudo do Ipea, até 2006, havia ainda 505 cidades sem qualquer posto de atendimento bancário.

Os pesquisadores usaram como base para a análise informações do Banco Central. De 1996 a 2007, o número de instituições financeiras diminuiu de 230 para 156. Houve diminuição na quantidade de instituições públicas, passando de 32 para 13, e privadas – de 198 para 143. O único segmento que ganhou participantes foi o das empresas bancárias estrangeiras, que passou de 41 para 56 companhias.

O estudo mostra que, apesar de representar uma fatia menor dos bancos em operação no País (8,3%), as instituições públicas são responsáveis por 43,1% das agências. O setor privado, que detém 91,7% dos bancos, tem 56,9% das agências.

Distribuição

O encolhimento da soma de sucursais bancárias elevou a relação de habitantes por estabelecimento, acirrando a desigualdade regional. Segundo dados de 2006, enquanto em São Paulo há um posto de atendimento para cada 6.812 moradores, no Maranhão, a proporção é de um para cada 26.917 habitantes.

Há desequilíbrio também na distribuição das agências pelo País. Apesar de a distância média nacional entre agências ser de 473 quilômetros quadrados (km²), no Distrito Federal, existe uma a cada 18 km² e, em Roraima, há uma a cada 11,8 mil km².

Em 1985, havia uma agência para cada 7.432 brasileiros. Em 2007, o número de habitantes por agência pulou para 10.145. Um comparativo do Ipea com informações do Banco Mundial sobre outros países demonstra que a proporção é de uma agência para cada 3.372 cidadãos nos Estados Unidos e chega a um para cada 1.089 na Espanha.

Crédito

De acordo com o levantamento do Ipea, houve redução na participação das regiões mais pobres nas operações de crédito e nos depósitos bancários entre 1997 e 2006. A Região Sudeste manteve-se durante o período como responsável por 72% dos depósitos, enquanto o Norte diminui a participação de 1,2% para 1,1% e o Nordeste, de 7,6% a 5,3%.

Foi na região Sudeste também onde foram concedidos mais empréstimos, passando de 59,5% em 1997 para 70,6% em 2006. Já no Norte, o porcentual caiu de 1,9% para 1,7%, no período, e, no Nordeste, recuou de 13,6% para 6,1%.

A entidade comparou a taxa de juros média anual paga pelo brasileiro e por norte-americanos e europeus. Em 2008, a pessoa física pagava no Brasil 60,4% ao ano, enquanto nos EUA a porcentagem chegava a 13,96% e, na região dos países europeus que compartilham o euro, a 6,38%. Para pessoa jurídica, a taxa média era de 38,1% no Brasil, 4% nos EUA e 5,45% na Europa.

A mesma disparidade aparece quando se compara a taxa de juros real praticada por bancos internacionais na matriz e no Brasil. O britânico HSBC cobra, em média, 6,6% ao ano no Reino Unido e 63,42% no Brasil. O juro do espanhol Santander na Espanha é de 10,81%, enquanto no Brasil é de 55,74%. O norte-americano Citibank cobra dos clientes dos EUA 7,28% ao ano, mas, dos brasileiros, 60,84%.