Os Estados Unidos estão, a rigor, em risco de default (não pagamento da dívida pública. O governo de Barack Obama poderá ser obrigado a declarar moratória no início de agosto se o Congresso não aprovar até lá o aumento do teto da dívida pública e, com isso, permitir que o Tesouro Nacional pague as despesas federais. Embora boa parte dos economistas e analistas políticos considere muito provável um acordo entre a Casa Branca e o Congresso, o risco de fracasso das negociações ainda está presente.

Na melhor das hipóteses, o acordo não será uma panaceia – apenas suavizará, mas não dará uma solução imediata para a grave crise fiscal vivida pelo país. Os EUA têm uma dívida pública de US$ 14,3 trilhões, o equivalente a quase 100% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e ao teto fixado pelo Legislativo. O Escritório de Orçamento do Congresso projeta para este ano um déficit nominal – receitas menos despesas federais, incluídos os pagamento de juros – de US$ 1,480 trilhão ou 8,9% do PIB.

Com um crescimento econômico lento demais (apenas 1,8% no primeiro trimestre deste ano), a taxa de desemprego subindo (9,1% em maio) e a aversão da sociedade a aumentos de impostos, o governo Obama não tem alternativas para aumentar as receitas. A discussão entre a Casa Branca e o Congresso sobre o corte de cerca de US$ 4 trilhões nos gastos públicos nos próximos dez anos, assim como o aumento do teto para a dívida pública, se mostra contaminada pelo início antecipado da campanha presidencial de 2012.

Ambos os temas transformaram-se em queda de braço entre os democratas de Obama e a oposição republicana, mais vulnerável aos ultraconservadores do Tea Party. Obama quer preservar gastos sociais e programas de incentivo aos setores de energia e de infraestrutura. Para os republicanos, é melhor cortá-los. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.