As obras da hidrelétrica do Jirau, do Rio Madeira (RO), estão paralisadas desde ontem, quando moradores da Floresta Nacional de Bom Futuro (RO) bloquearam a estrada que dá acesso ao canteiro de obras. A manifestação tem como objetivo protestar contra as multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela criação de gado ilegal dentro da reserva. Por conta disso, não há previsão de quando os trabalhos poderão ser retomados pela concessionária Energia Sustentável do Brasil, investidora da usina.

De acordo com informações da Polícia Militar de Rondônia, cerca de 350 pessoas participam da manifestação contra o órgão ambiental. Os manifestantes exigem das autoridades agilidade no cumprimento do acordo firmado entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador de Rondônia, Ivo Cassol, sobre as famílias que vivem na Floresta Nacional de Bom Futuro. Esse entendimento foi determinante para que o governo estadual concedesse o seu aval para a construção de Jirau, permitindo que o Ibama liberasse a licença de instalação (LI).

A Floresta Nacional de Bom Futuro começou a ser ocupada desordenadamente a partir de 1995. Hoje, aproximadamente 28% da floresta já foram desmatados com uma ocupação de 3,5 mil habitantes e 35 mil cabeças ilegais de gado, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Desde maio, o Ibama já aplicou R$ 34 milhões em multas e notificou os criadores de gados para deixarem o local. Isso motivou o acordo entre Rondônia e a União, sob a alegação de que “uma solução pela retirada das famílias ocupantes da área compreendida na Floresta Nacional de Bom Futuro ocasionará consequências sociais imprevistas”, conforme escrito nos termos do acordo.

Pelo compromisso, cerca de 140 mil hectares, de uma área total de 272,8 mil hectares da Florestal Nacional de Bom Futuro, foram repassados ao governo de Rondônia. Em contrapartida, a União assumiu as unidades de conservação estaduais Floresta Estadual Rio Vermelho A e B, a Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos e a Estação Ecológica Mujica Nava, totalizando 180 mil hectares. Apesar disso, o Ibama continua aplicando as multas contra os criadores de gado.

Segundo a assessoria de imprensa da Energia Sustentável do Brasil, cerca de 800 funcionários permanecem no canteiro de obras da usina. Até o momento, os prejuízos provocados pela paralisação não foram mensurados pela empresa. Esta é a segunda vez que as obras de Jirau são interrompidas. No fim de maio, a impasse entre o governo estadual e a União sobre a Floresta Nacional de Bom Futuro (RO) dificultou a liberação da LI definitiva, provocando a suspensão dos trabalhos por mais de duas semanas quando a LI parcial expirou.

A Energia Sustentável do Brasil tem como acionistas a GdF Suez (50,1%), a Eletrosul (20%), a Chesf (20%) e a Camargo Corrêa (9,9%).