A relação entre os preços do trigo e do pão, nos últimos anos, não foi tão próxima, segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Ontem, a instituição divulgou um cálculo, referente ao período entre 2003 e 2010, que mostra que, enquanto as cotações do trigo em grão caíram 5%, a farinha aumentou 9% e o pão, 34%.

A divulgação dos números foi feita para rebater notícias recentes, que previam um aumento de 7,5% no pão, atribuindo o acréscimo a um encarecimento de 71% no cereal em grãos, apenas em julho.

De acordo com o levantamento da Ocepar, o trigo passou por um aumento linear de R$ 0,0142 por quilo, a cada ano, entre 2003 e 2010. Já a mesma quantidade de farinha de trigo encareceu R$ 0,0627 por ano, no período. Enquanto isso, o quilo do pão ficou R$ 0,275 mais caro em cada um desses anos.

Através de um comunicado da Ocepar, o presidente da entidade, João Paulo Koslovski, contesta até o aumento de 71% no trigo em grão. “Pelo contrário. No mês de junho, o preço praticado pelo mercado, no Paraná, estava em R$ 22,78 a saca de 60 quilos do cereal, caindo para R$ 22,23 em julho”, afirmou.

Ele comparou, ainda, o preço pago pela saca em julho de 2009, que era de R$ 27,68, e concluiu que, no intervalo, houve redução de 19,69%. “Neste período de um ano, não ouvimos falar que o preço do pão baixou para os consumidores”, questionou.

O dirigente da Ocepar também afirmou não considerar justo que algumas lideranças do setor industrial “jogassem a culpa nos produtores”, nos meios de comunicação.

“Precisamos colocar a verdade, e a verdade é que o preço pago aos produtores, em agosto, é de R$ 23,75, contra um custo de produção de R$ 32,58, gerando um prejuízo na ordem de R$ 8,83 por saca”, protestou.

Lembrança

Além de questionar os motivos das previsões de aumento no pão, o presidente da Ocepar lembrou que o mercado passou recentemente por situação semelhante.

Em março, recordou Koslovski, o setor de panificação ameaçou aumentar o preço do pão em 16%, atribuindo o reajuste à elevação para 30% do Imposto sobre a Importação do trigo vindo dos Estados Unidos.

O comunicado da Ocepar aponta uma declaração do ministro da Agricultura na época, Reinhold Stephanes, contestando a motivação e taxando o possível aumento como “terrorismo”. Segundo o ex-ministro, o custo do trigo no pãozinho poderia variar entre 10% e 16%, e não 30% como o setor anunciava.

Outro problema recordado por Koslovski foi em relação a uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que reduziu o preço mínimo do trigo em 10%, em junho.

O documento da Ocepar afirma que os produtores “foram pegos de surpresa” pela decisão, considerada “unilateral” pela entidade. “Mudaram a regra no meio do jogo e os triticultores, que já haviam semeado naquela ocasião o cereal, foram prejudicados”, disse.

A questão, lembrou ele, levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) a recorrer à Justiça para suspender a medida. “Estamos aguardando a decisão a respeito”, informou.