Bruxelas (AE) – O Brasil será a economia que apresentará o menor crescimento entre os principais países da América Latina em 2005 e um dos piores entre os países emergentes. A informação foi publicada no relatório anual da Conferencia da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad), divulgado ontem. Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luis Fernando Furlan, os dados da ONU estão ?equivocados?.

Pela projeção das Nações Unidas, o crescimento no Brasil será de 3% em 2005, bastante inferior à média de 4,2% da América Latina ou de 5,5% dos países emergentes. Na região, os destaques são a Argentina, com crescimento previsto de 7,5%, a Venezuela com 8% e o Chile com 6%. Mesmo Uruguai, Peru, Bolívia e Paraguai apresentarão taxas superiores de crescimento, segundo a Unctad.

Segundo as projeções da ONU, 2005 terminará com um crescimento do PIB mundial inferior ao de 2004. O ano deve fechar com um incremento de 3%, com os Estados Unidos crescendo a 3,5%. Para os analisas, fica claro que os Estados Unidos não podem mais conduzir o crescimento mundial sozinhos, e a Índia e a China estão se tornando os ?segundos motores do mundo?. A China tem já um peso tão grande que a média de crescimento dos países emergentes cai de 5,5% para 4,6% em 2005 se a China for excluída do cálculo.

No caso do Brasil, o motivo da queda no ritmo de crescimento seria o aperto monetário – mesma avaliação que é feita sobre o México. Segundo a ONU, esse cenário de menor crescimento nessas duas economias afeta toda a região, que terá sua média de crescimento rebaixada de 2004 para 2005.

Apesar do crescimento menor, a Unctad acha que a América Latina e, em especial o Brasil, vem sentindo um efeito mais reduzido que outras regiões quanto ao aumento dos preços do petróleo. Segundo os analistas, o Brasil conseguiu fazer uma boa substituição do petróleo por recursos nacionais, entre eles o etanol, além de aumentar a produção de hidrocarbonetos.

Emergentes

A ONU também chama a atenção para o crescimento do comércio entre os países emergentes, um tema sempre defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas seus dados indicam que o Brasil ocupa apenas a 10.ª posição entre os países do Sul que mais compram de seus colegas do Sul. O Brasil representa apenas 2,2% do que países emergentes importam de outros países pobres.

O Brasil, por exemplo, não está nem entre os dez maiores compradores de manufaturas de outros países emergentes. Na classificação, é superado pelo México e a liderança é da China, que compra 21% de tudo o que se comercializa entre os países do Sul.

Mas o Brasil consegue exportar mais que importa. O País tem 3,3% das vendas entre o Sul e ocupa a 9.ª colocação, superado pela Índia, Tailândia e Malásia.

Em produtos industriais, representa 2,4% do comércio Sul-Sul, e é o 3.º em agricultura, com 10,6%. Surpreendentemente, Argentina e China vendem mais ao Sul que o Brasil em produtos agrícolas.