A oposição não poupou críticas ao governo pelo novo valor do salário mínimo acordado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as lideranças partidárias e as centrais sindicais. O mínimo deverá subir para R$ 350 a partir de abril, conforme confirmou em plenário o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

?Só tem uma palavra para este anúncio. Frustrante. Este governo não cumpriu uma única das promessas feitas em campanha?, afirmou o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).

Revoltada com o valor anunciado pelo governo, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) subiu à tribuna do Senado e defendeu a diminuição do superávit primário e a elevação do mínimo para R$ 541. ?Não vamos aceitar a farsa política de que não pode aumentar o salário mínimo para 541 reais. Quem quiser que bote a sua digital, nós não vamos. Não vamos aceitar a ousadia da farsa política e da fraude técnica.?

O senador Alvaro Dias fez coro ao grupo de parlamentares insatisfeitos com o novo valor do mínimo. ?Acho que foi um aumento substancial. O governo estava devendo uma recuperação do mínimo. Mas ela só veio no ano eleitoral. Só agora o governo se torna generoso, mas ainda assim está longe de cumprir seus compromissos assumidos na campanha.?

Mais ameno nas críticas, o senador Leonel Pavan (PSDB-SC) avaliou que este era o valor possível para o reajuste do salário mínimo, sem prejudicar as contas do governo. ?Está como ele prometeu, que era dobrar o salário mínimo e ainda descontar a inflação. O reajuste dado está longe do ideal para os trabalhadores, mas é o melhor que o governo pode fazer sem arrocho, sem criar problemas para as contas públicas?, disse.

Enquanto a oposição bateu pesado no novo valor do mínimo, o líder do governo fez de tudo para defender as ações do governo. ?O reajuste representa um ganho real de 13%. É um reajuste substancial, é o melhor valor do mínimo em 25 anos na média e em 20 anos no pico?, disse Mercadante.