Com valorização de 12,24% em maio, o ouro figurou novamente no topo do ranking de rentabilidade das aplicações financeiras, desbancando os fundos de renda fixa e DI, que devem fechar o mês negativos. Cotado ontem a R$ 2,516 para venda, o dólar comercial registrou a maior alta mensal desde julho do ano passado, de 6,52%. Já a Bolsa de Valores contabilizou queda de 1,71% no último mês.

Para surpresa do mercado, o ouro também lidera a lista dos ativos no ano, com rendimento de 23,720%. O metal foi comercializado a R$ 26,60 na última sexta-feira. Já as ações negociadas na Bovespa carregam desempenho negativo de 5,2% em 2002. O pregão de ontem interrompeu a cadeia de cinco sessões em alta, fechando em queda de 0,95%, aos 12.861 pontos. Na fraca sessão espremida entre feriado e final de semana, o curto volume de R$ 373,7 milhões não chegou a surpreender.

O dólar, por sua vez, acumula variação de 8,68% no ano. Dois fatores influenciaram a elevação da moeda no mês: a enxurrada de relatórios de bancos, alguns rebaixando e outros reafirmando a classificação dos títulos brasileiros, e a divulgação de pesquisas de intenção de voto. Os bancos que reduziram a classificação brasileira citam ameaças à atual conjuntura econômica diante da possibilidade de vitória do candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, considerado por parte do mercado como um candidato mais ‘radical” de esquerda. Alguns participantes do mercado, porém, acreditam que há exagero nessa avaliação. Esses fatores aumentaram a procura por “hedge” (proteção) em dólar, pressionando a cotação da moeda.

A poupança rendeu 0,7113% em maio, totalizando 3,55% de ganho no ano. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), parâmetro para os juros do sistema financeiro, cresceu 1,40% no mês e 7,18% em 2002. O CDB, balizador de carteiras de fundo de renda fixa, foi estimado em 1,38% no mês passado e em 7,20% no ano.

Perdas

Para os fundos de renda fixa e DI, que acumulavam variação entre 1,30% e 1,36% até o dia 29, o mês de maio será atípico. Segundo analistas de mercado, a maior parte da indústria de fundos sofrerá grandes impactos, com recuos mensais de 1,5% a 2%. Isso se deve ao anúncio feito pelo Banco Central e CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na última quarta-feira, antecipando uma das obrigações que os fundos teriam que cumprir até 31 de setembro: os ajustes de carteira, avaliando os títulos públicos pelo valor de mercado e não pelo valor de face. O mercado acredita que apesar da retração de ontem, os fundos voltam a ter “vida normal” a partir de segunda-feira.

Mesmo com o cenário aparentemente tranqüilo e com expectativa de queda dos juros, a proximidade do fim de semana sempre mantém o investidor cauteloso, devido ao temor de divulgação de denúncias pelas revistas semanais ou mesmo de pesquisas eleitorais com resultados desagradáveis. (Olavo Pesch e agências)