A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automobilística vai levar outros setores a pleitear benefícios fiscais ao governo. Empresários entendem que o país volta a crescer não só com a venda de carros, mas também com a de eletroeletrônicos, de roupas, de máquinas, de casas e de brinquedos.

O Sinduscon-SP (sindicato paulista da indústria da construção civil) vai entregar ao governo um documento, que já está sendo elaborado, para pedir agilidade na liberação de linhas de crédito para quem quer construir casas.

“Não queremos que a Caixa Econômica Federal empreste dinheiro para qualquer um. Mas precisamos de uma política habitacional no país que facilite o financiamento”, afirma Artur Quaresma, presidente do sindicato.

A falta de crédito para o setor de construção, diz ele, já resultou em 12 mil demissões no primeiro semestre deste ano no Estado de São Paulo e em 60 mil dispensas no país nos últimos 12 meses. “Há uma quebradeira no setor.”

O que a indústria da construção vai pedir também é a redução de tributos sobre a moradia popular. “Cerca de 30% do custo de uma casa é imposto. Será que o governo não pode fazer para o nosso setor o mesmo que fez com o IPI dos carros?”, questiona.

Medida incompleta

O Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) entende que o estímulo à venda de carros dado pelo governo é certo, mas é uma medida incompleta. “Os setores que possuem cadeias produtivas que empregam muita gente devem ser estimulados”, afirma Júlio Gomes de Almeida, diretor do instituto.

Os empresários do Iedi, afirma ele, querem programas de estímulo para habitação, saneamento e rodovias, principalmente, além de atenção especial para quem produz eletroeletrônicos, tecidos, roupas, sapatos e móveis.

Empresários do setor de infra-estrutura deverão intensificar os pedidos para que o governo coloque em prática usas propostas para a redução da carga tributária.

“Os impostos no Brasil não podem incidir sobre a produção e sim sobre os produtos que chegam ao consumidor. Para o setor de infra-estrutura, o que interessa é desonerar a produção”, afirma José Augusto Marques, presidente da Abdib, associação que reúne a indústria de base.

Empresários do setor têxtil vão continuar insistindo com o governo para que apóie a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o setor, além de projetos para aumentar a produção, por meio de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Discutimos isso com o governo sempre. Não vamos parar de pedir ações para ajudar o setor a crescer”, diz Paulo Skaf, presidente da Abit, associação que reúne a indústria têxtil.

Chora mais, leva mais

Horacio Lafer Piva, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), diz que a redução do IPI dos automóveis foi compreensível, mas não pode parar apenas nesse setor. “Não podemos ficar na política de quem chora mais, leva mais. Vamos ver que resultados a redução traz. Apoiamos porque é um segmento industrial, mas não nos contentamos apenas com isso.” Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a ajuda do governo às montadoras é específica demais e não terá impacto sobre a economia em geral.

Flávio Castelo Branco, coordenador de política econômica da entidade, afirma que um dos empecilhos que poderiam ser imediatamente eliminados, a fim de permitir a volta do crescimento, como pleiteiam os empresários, é o alongamento do prazo de pagamento dos impostos.

Segundo o executivo, as empresas hoje pagam impostos, como o IPI, no prazo médio de 15 dias, mas recebem o pagamento pelas vendas em até 45 dias. “Esse intervalo de tempo exige que o empresário tome emprestado dinheiro dos bancos para pagar os tributos. Isso aumenta os custos e os preços dos produtos.” Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq, associação que reúne a indústria de brinquedos, diz que, se essa medida fosse adotada no setor, o preço do brinquedo para o consumidor cairia cerca de 11%, pelos cálculos já feitos pela associação.

O Sindicom (sindicato das distribuidoras de combustíveis) informa que o setor precisa imediatamente que o governo aumente a fiscalização e coíba a sonegação de tributos e a adulteração da gasolina e do álcool. Cerca de 10% dos combustíveis que movem os veículos no Brasil são adulterados, informa Leonardo Gadotti, vice-presidente do sindicato.