O consumo de carne de ovino no Brasil chega a 700 gramas per capita/ano, contra um consumo de quase 28 quilos per capita/ano de carne bovina. Essa diferença está associada à informalidade com que o produto é oferecido no País, e pela falta de organização das cadeias produtivas. Mudar esse cenário é o principal desafio de produtores e organismos de apoio.

E é esse o tema central do seminário “Ovinocultura de Corte: Sistemas de Produção e Perspectivas de Mercado” que começou ontem – e segue até amanhã – no auditório do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná. A coordenadora do evento e professora do Departamento de Zootecnia da UFPR, Alta Lúcia Gomes Monteiro, destaca que o evento visa discutir a ovinocultura como uma alternativa de renda para o produtor, assim como uma excelente oportunidade de mercado. “Existe uma enorme demanda, que precisa ser preenchida com produto de qualidade e regularidade”, disse.

O Paraná concentra uma baixa produção, com cerca de 600 mil animais distribuídos principalmente na região centro-sul do Estado. Já no Brasil esse número chega a 18 milhões de cabeças, concentradas, na maioria, no Nordeste e Sul do País. Segundo o médico veterinário e professor da Universidade de Marília (SP) Francisco Armando de Azevedo Souza o produto tem um mercado crescente, mas é preciso investir na organização das cadeias.

“O Brasil tem importado muita carne, lã e pele, enquanto poderia estar produzindo o suficiente para abastecer o mercado interno e ainda exportar”, avaliou Souza. O principal problema, destaca, tem sido a clandestinidade com que o produto é oferecido. “O consumidor é exigente, e vai comprar não por impulso, mas pela qualidade e custo”, disse. O quilo da carne de ovino tem sido vendida na região de São Paulo por R$ 10,00 o quilo, em média. Esse valor poderá baixar e começar a ser competitivo, avalia o professor, quando tiver uma oferta com qualidade. Além da carne, destaca Souza, podem ser aproveitados as vísceras – para consumo ou produção de ração -, lã e pele.