O aumento dos casos de gripe suína na Argentina afastou aproximadamente 30% dos brasileiros que haviam comprado pacotes de viagem para visitar em julho a cidade de Bariloche, destino argentino mais procurado nesta época do ano. A estimativa é das duas maiores entidades do setor – a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) e Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).

“A previsão era de uma quantidade maior de cancelamentos e adiamentos das viagens. Neste mesmo período, por exemplo, chegou a quase 50% o número de brasileiros que desistiram de embarcar para Buenos Aires”, minimizou o diretor de assuntos internacionais da Abav, Leonel Rossi. “É um resultado bem melhor do que o visto no México, onde o episódio da gripe suína afastou quase 80% dos turistas com viagem marcada”, afirmou o presidente da Braztoa, Eduardo Barbosa.

Ainda que as desistências tenham ficado abaixo do esperado, o resultado frustra as expectativas do setor, que projetava nas férias de inverno a recuperação de um mercado de viagens fragilizado pelos desdobramentos da crise financeira mundial. “Tivemos um começo de ano difícil com a recessão econômica. Depois de um desaquecimento, as empresas tinham voltado a vender pacotes em maio e junho”, disse Rossi. “Esperávamos recuperar parte das perdas nesta época do ano, mas agora projetamos a melhora para o segundo semestre.”

As apostas de crescimento na venda de pacotes de viagens para o mês de julho eram altas. A expectativa da CVC, uma das maiores operadoras brasileiras de turismo, era de crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. A razão para o otimismo eram os reflexos da queda do dólar, já oscilando abaixo dos R$ 2,00, e o barateamento das passagens aéreas, que tiveram desconto na tarifa de até 20%.

O cenário para os operadores de viagens começou a mudar quando o Ministério da Saúde brasileiro recomendou que fossem adiadas as viagens para países com maior risco de contaminação pela gripe suína, entre eles a Argentina e Chile. “O governo estimulou as pessoas a não viajar para a Argentina”, criticou Rossi. “A campanha feita pelo governo argentino para estimular o turismo e mostrar aos estrangeiros que Bariloche ainda é uma opção segura é o que contribuiu para as desistências não terem sido ainda maiores.”

Além da divulgação de dados sanitários de que a gripe suína não teria sido registrada em Bariloche, a Argentina prepara medidas de atração dos turistas brasileiros que incluem pacotes especiais com reduções de tarifas em hotéis, passagens aéreas e serviços. A temporada de inverno é a principal fonte de recursos do setor de turismo no país. Cerca de 400 mil brasileiros visitam a Argentina durante o inverno – e pelo menos 300 mil buscam cidades como Bariloche, onde encontram neve e esqui.

Projeções

As desistências dos turistas brasileiros devem derrubar as projeções iniciais de crescimento do mercado em 2009. O presidente da Braztoa, Eduardo Barbosa, não exclui nem o risco de o setor encolher este ano. “Nossa previsão no início do ano era de crescimento de 5%. Mas o cenário atual nos obriga a recalcular este valor. É até possível que tenha retração”, afirma. O diretor da Abav também aposta em uma redução nas projeções de crescimento, mas discorda quanto ao risco de retração. “Vai haver crescimento, sim. Só precisamos recalcular quanto”, disse.