Foto: Arquivo/O Estado

Álcool combustível foi o produto que mais influenciou na queda do índice.

O Brasil registrou em junho a primeira deflação no ano. Com a queda do preço dos combustíveis – especialmente do álcool -, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,21%. Na Grande Curitiba, a queda foi ainda maior: 0,36%, atrás apenas do Distrito Federal, que registrou variação negativa de 0,69%. Das onze regiões metropolitanas pesquisadas, apenas duas – Recife e Belo Horizonte – tiveram variação positiva. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa está ainda abaixo das previsões do Relatório de Mercado elaborado pelo Banco Central, que projetavam deflação de 0,10%. Com o resultado de junho, o índice – usado pelo governo para balizar as metas de inflação – fecha o primeiro semestre com alta de 1,54%, abaixo do acumulado no mesmo período de 2005. Nos 12 meses fechados em junho, o IPCA acumula alta de 4,03%, também abaixo da taxa de 4,23% registrada nos 12 meses imediatamente anteriores. Na Grande Curitiba, a inflação acumulada no primeiro semestre do ano é de 1,14%, a segunda menor do País.

De acordo com o IBGE, a queda nos preços do álcool combustível foi o que mais pesou para a redução do IPCA de junho. O preço do litro do álcool chegou a ficar 8,77% mais barato para o consumidor, em função da maior oferta da cana-de-açúcar. A gasolina, que tem 20% de álcool em sua composição, passou a custar 1,60% menos nas bombas.

Em Curitiba e região, a queda nos preços dos combustíveis foi ainda maior, chegando a 10,50% no caso do álcool e de 4,30% no da gasolina. No primeiro semestre, o preço do álcool acumula queda de 2,84% em Curitiba e alta de 3,41% na média nacional. Já o preço da gasolina permanece praticamente estável na Grande Curitiba (alta de 0,13%), contra o aumento de 3,28% em nível nacional.

Os preços de alimentos e bebidas também caíram em junho: 0,29% em Curitiba e 0,61% no País. Outro setor que contribuiu para a queda da inflação na capital paranaense foi a taxa de energia elétrica residencial, que ficou 0,90% menor. Em nível nacional, houve aumento de 0,48%.

Os artigos de vestuário (de 0,90% em maio para 0,59%) e os remédios (de 1,41% para 0,21%) também ajudaram na redução da inflação nacional.

O IPCA é apurado em Brasília, Goiânia e em nove regiões metropolitanas, com base nos gastos de famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Apenas em duas regiões metropolitanas, Recife (021%) e Belo Horizonte (0,15) não houve deflação. Em Salvador a taxa ficou em -0,03%; em Belém, -0,04%; em Porto Alegre, -0,13%; Fortaleza, -0,20%; São Paulo, -0,30%; Rio de Janeiro, -0,33%; Curitiba, -0,36%; Goiânia, -0,30%; e Brasília, -0,69%.

INPC

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), utilizado para o reajuste salarial de trabalhadores, apresentou variação de -0,07% em junho, ante uma taxa de 0,13% em maio. No acumulado do ano, o índice chega a 1,06%, bem menos do que em igual período do ano passado (3,28%). Nos últimos 12 meses, a taxa ficou em 2,79%.

Quanto aos índices regionais, apenas Recife (0,25%), Belo Horizonte (0,21%) e Porto Alegre (0,14%) não mostraram deflação. O menor resultado, com deflação, foi registrado em Fortaleza (-0,42%). Curitiba apresentou o quarto menor índice (-0,22%). O INPC é apurado com base nos gastos de famílias com renda de até oito salários mínimos.

Doméstica e plano ?puxam? inflação do idoso para cima

 Rio (ABr) – O aumento de despesas com planos de saúde e empregados domésticos contribuiu para interromper a tendência de queda que os gastos dos consumidores idosos vinham apresentando. A inflação para o grupo registrou leve alta de 0,07% nos meses de abril, maio e junho, ficando 0,33 ponto percentual acima do índice calculado para a população em geral (IPC-BR), que foi de 0,26%.

De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no trimestre anterior, a variação foi de 0,82% e, em igual período do ano passado, 1,83%.

Os dois itens que mais contribuíram para o resultado fazem parte do grupo Habitação e Saúde e Cuidados Pessoais que apresentaram as maiores variações de preços. A despesa com empregados domésticos teve alta de 5,92% e com os planos de saúde, 3,66%.

A explicação para a menor queda de preços para os idosos em comparação com o Índice de Preços ao Consumidor da População Brasileira (IPC-BR), é que as famílias, especialmente com crianças, sofrem mais impacto no orçamento com educação, transporte e vestuário, enquanto itens como saúde são mais determinantes para a terceira idade.

No segundo trimestre, as maiores contribuições para a desaceleração do IPC-3i foram dos grupos Alimentação (frutas 13,47%), Educação, Leitura e Recreação (passeios e férias 9,07%) e Transportes (combustíveis e lubrificantes 0,46%).

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) pesquisa os gastos das famílias cuja composição é de pelo menos 50% de pessoas com mais de 60 anos de idade. O perfil de consumo médio dessas famílias foi construído com base no levantamento realizado pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada no biênio 2003/2004.