O jornal britânico The Independent publicou hoje que países do Golfo Pérsico estão negociando com a China, a Rússia, o Japão e a França um novo formato para os contratos de petróleo. O objetivo seria abandonar o dólar e buscar acordos baseados em outras divisas. Em informações atribuídas a fontes, a publicação afirma que a opção pode ser por uma cesta de moedas, contendo iene, yuan, euro, ouro e uma divisa unificada de nações da região, incluindo Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuwait e Qatar – países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“Encontros secretos têm sido realizados por ministros de finanças e presidentes de bancos centrais na Rússia, China, Japão e Brasil para trabalhar no esquema, o que significará que o petróleo não será mais precificado em dólar”, diz a reportagem de capa do jornal, assinada por Robert Fisk, com a manchete “O fim do dólar”.

“O Brasil tem mostrado interesse em colaborar com pagamentos por petróleo que não sejam em dólar, juntamente com a Índia”, afirma. “Entretanto, a China parece ser a mais entusiasmada entre todas as potências financeiras envolvidas”, diz o jornal, ao lembrar que o país importa 60% do petróleo que consome.

A transição levaria nove anos, com finalização prevista para 2018. A publicação refere-se ao assunto como “a mais profunda mudança financeira do Oriente Médio na história recente”. Os planos foram confirmados ao The Independent por fontes de países do Golfo e da China e podem ajudar a explicar a disparada recente do preço do ouro, segundo o jornal.

“Esses planos mudarão a face das transações financeiras internacionais”, disse um banqueiro da China. “Os Estados Unidos e o Reino Unido devem ficar muito preocupados. Você vai ver o quanto pelo estrondo de negativas que esta notícia vai gerar.”

Os americanos estão cientes das negociações, apesar de não conhecerem os detalhes, e devem reagir. A publicação levanta a possibilidade de uma guerra econômica entre a China e os Estados Unidos em relação ao petróleo do Oriente Médio. Conforme o The Independent, foi o novo poder extraordinário da China e a raiva de países produtores e consumidores em relação à interferência norte-americana que estimularam as recentes negociações sobre uma nova forma de contrato para o petróleo.