O Brasil vai sacar a penúltima parcela do empréstimo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), no valor de US$ 4,2 bilhões. A confirmação foi dada ontem pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho. Palocci justificou o saque como adequado para o Brasil e por se tratar de um dinheiro mais barato que outras captações. Além disso, segundo o ministro, os recursos deverão fortalecer as reservas internacionais.

Palocci não soube dizer quando o dinheiro estará nos cofres públicos. No entanto, o FMI aprovou ontem a quarta revisão do acordo, o que dá o direito ao país do saque imediato.

De acordo com o ministro, a carta em que o FMI anuncia a aprovação da revisão fala que os números da economia do país estão de acordo com as metas acertadas e, portanto, a revisão foi adequada.

Palocci afirmou que a decisão sobre a possível renovação do acordo “certamente será técnica”. De acordo com ele, “não há nenhuma motivação política nem para fazer (um novo acordo) ou não”. O ministro voltou a afirmar que só haverá uma prorrogação do programa com o FMI se houver necessidade.

Palocci disse acreditar que está muito perto do momento em que não será preciso ao país ter o apoio financeiro do FMI. Para o ministro, é muito importante que o comando do Fundo confirme que as políticas econômicas estão fazendo a inflação convergir para as metas.

Segundo ele, o mercado tem demonstrado confiança no governo brasileiro independente de novo acordo com o Fundo. “O que dá credibilidade ao governo é o cumprimento da agenda proposta no início do ano”, afirmou.

O ministro disse que o governo brasileiro já decidiu adotar o modelo de superávit primário anti-cíclico a partir de 2005. Essa previsão já consta do texto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2004.

O sistema anti-cíclico permite ao país fazer um superávit maior que a meta firmada caso a economia cresça mais que o previsto. O contrário também poderá ocorrer. Se a economia crescer menos, o superávit será menor para que não haja necessidade de corte de despesas.

O ministro acredita também que o Brasil vai atingir, até o final do governo Lula, tal equilíbrio nas contas públicas que vai permitir ao país caminhar sozinho, sem recursos do Fundo. “Vejo com otimismo o fato de que ainda neste governo nós possamos sim fazer as políticas econômicas sem a necessidade de acordo ou apoio financeiro do Fundo”, enfatizou Palocci.