Foto: Arquivo/Agência Brasil

Palocci: quem deve tem que economizar e pagar.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci defendeu ontem um "acordo social" para garantir um crescimento superior a 5% nos próximos anos. Sem dar outros detalhes da proposta, Palocci disse que esse entendimento passaria pela manutenção da atual política fiscal e pela redução e melhoria do gasto público.

"Vamos atingir um grau de investimento em poucos anos e vamos ter um crescimento vigoroso se fizermos um acordo social no País", disse o ministro em palestra a executivos de empresas e bancos em São Paulo. "Essa não é simplesmente uma decisão de governo", ressaltou.

Segundo ele, o entendimento depende do esforço que o País quer fazer. "As lideranças da sociedade precisam ter uma ação comum e suprapartidária de um acordo nacional sobre qual velocidade dar ao crescimento do País. Para isso, segundo ele, é preciso definir que esforço o governo e a sociedade vão fazer no âmbito das despesas, dos tributos e das reformas para garantir juros menores e crescimento maior.

"Vamos gastar melhor e gastar menos. Vamos fazer um esforço fiscal nos próximos anos e vamos ter tranqüilidade. Não podemos ter ansiedade com isso, pois quem deve tem de economizar e pagar suas dívidas."

Palocci afirmou que o governo é cobrado pelos dois lados. "Um cobra redução de tributos e outro, de gastos. É preciso equilibrar isso."

Sobre os juros reais elevados, o ministro afirmou que existem duas características específicas do País, além da jabuticaba. "Uma é crescer com juros altos, coisa que não acontece em nenhum outro país do mundo. Por outro lado, a inflação sobe mesmo com taxas elevadas de juros."

O ministro citou como exemplo 2001 e 2003, anos em que a inflação cresceu mesmo com juros reais elevados. "O Banco Central é criticado por dez entre dez críticos, mas se não tivesse feito nada a inflação estaria hoje em 12%."

Palocci se mostrou bem-humorado ao responder a uma pergunta sobre qual seria o nível de juros de equilíbrio na economia brasileira. "Eu posso dizer solenemente que não sei qual é, e pretendo nunca saber. Aprendi isso com os bons economistas, que sempre dizem não sei e costumam acertar, ao se referirem a coisas complexas como essa."

O ministro admitiu que a desaceleração do crescimento econômico no segundo semestre de 2005 refletiu o "esforço monetário para conter o recente surto de inflação" e o impacto da crise política sobre a confiança de consumidores e empresários. Mas afirmou que a inflação já está sob controle – o que abre espaço para a redução dos juros – e o clima entre os empresários e os consumidores tem melhorado, indicando uma avaliação mais positiva da situação econômica.