Os números captados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril mostram tendência de desaceleração para o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O efeito deve ser sentido já no IPCA de maio, segundo o economista do Ibre/FGV André Braz. “Estamos migrando para um período de inflação mais baixa e menos espalhada”, disse.

O IGP-DI capta preços no atacado que ainda vão chegar ao consumidor. Segundo Braz, a grande contribuição para a desaceleração futura da inflação deverá vir de alimentos, que foram vilões nos últimos meses, mas estão com movimento de recuo de suas taxas em vários estágios da cadeia produtiva, mostrando que a tendência de queda é consistente.

A queda é efeito do início da safra ou melhora na produção de vários alimentos, entre eles milho e soja. No caso do consumidor, também aparece em abril de forma mais expressiva o resultado da desoneração anunciada no fim de março pelo governo, que zerou PIS e Cofins para uma série de alimentos como açúcares, óleos, gorduras e carnes.

Também os medicamentos, que subiram de 0,46% em março para 2,31% em abril e impediram uma deflação maior, não devem apresentar o mesmo grau de reajuste em maio.

O efeito da safra é evidente em itens que refletem a produção de soja e milho, que vira ração e influencia processados como carnes e ovos.

No atacado, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de +0,12% em março para -3,48% em abril. Carne suína, com alta de 1% em março, passou a -6,87% em abril. Na mesma comparação, o óleo de soja foi de -1,84% para -3,5%. Com isso, os bens finais do IPA desaceleraram de +1,18% para +0,40%.

O item bens intermediários (de -0,17% em março para -0,26% em abril) foi influenciado pelo farelo de soja, que já havia registrado -12,23% e teve novo recuo de 4,24% em abril. “É usado em ração animal e sustenta queda de taxas em carnes suína e bovina”, diz.

Rações para animais passaram de -1,27% em março para -5,38% em abril. Também influenciaram bens intermediários a redução no querosene para aviação (1,70% para -6,82%) e óleo diesel (de 5% para 0%).

Os alimentos in natura ainda não tiveram recuo captado pelo IPCA de abril, segundo Braz, mas isso deve acontecer em maio. O tomate, que variou +18,26% em março, passou para -9,92% em abril. Ovos variaram +3,99% em março e -2,07% em abril. Já o mamão passou de +20,27% em março e para -4,55% em abril.

“Isso mostra que o futuro do IPCA para alimentos in natura é registrar queda”, disse. “Com a entrada da safra de inverno, são os alimentos in natura, vendidos em feira livre, os que têm mais gordura para queimar.”

Braz também diz que as matérias primas brutas (-0,78% em março e -1,5% em abril) que serão transformadas em alimentos anunciam que o consumidor continuará, em maio, a contar “com alguma queda no preço de alimentos importantes”. São exemplos os frangos vivos (de -2,20% em março para -10,41% em abril), milho em grão (de -5,20% para -11,18%) e laranja (de +7,69% para -7,72% em abril).

Para o consumidor, a alimentação em abril já desacelerou de 1,31% em março para 0,95% em abril. Em 12 meses, acumula 13,69% de alta. É a classe de despesa com a maior alta acumulada, de um total de oito. Aves e ovos (2,55% em março para -1,65% em abril) acumulam em 12 meses 21,15%. “Ou seja, tem espaço para queda de preço”.

O mesmo acontece com hortaliças e legumes, que subiram 8,96% em marco, 5,48% em abril e acumulam alta em 12 meses de 90,6%. Óleos e gorduras (de -1,02 para -2,12%) registra alta de 13,38% em 12 meses.