O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse hoje que acha difícil que o dólar deixe de ser a moeda de referência para as negociações no mercado de petróleo. Segundo ele, a cotação do petróleo depende muito da cesta de importação dos países que produzem a commodity. “A mudança do modelo do dólar para outra moeda reflete uma mudança no fluxo de comércio. Eu vejo isso de forma positiva, mas acho muito difícil que os principais países produtores consigam de fato cotar o petróleo em outra moeda que não seja a principal moeda da sua importação”, disse ele, após participar de audiência pública na comissão especial da Câmara que analisa o projeto que propõe a implantação do sistema de partilha para a produção do pré-sal.

O jornal britânico The Independent noticiou hoje que os países produtores de petróleo estariam articulando a troca do dólar como moeda que precifica os contratos de petróleo por uma cesta de moedas internacionais. A possibilidade já foi negada por ministros de países do Oriente Médio, mas o jornalista que assina a reportagem, Robert Fisk, confirmou à Agência Estado ter recebido tal informação de suas fontes.

Custo do pré-sal

O presidente da Petrobrás disse que o projeto piloto do campo de Tupi, que deverá entrar em funcionamento no ano que vem, é rentável “a um preço do petróleo entre US$ 40 e US$ 45”. Tupi é o primeiro campo do pré-sal que deverá entrar em funcionamento, sob o regime de concessão, uma vez que foi leiloado antes da definição de novas regras.

Atualmente, a Petrobras já realiza um teste de longa duração no campo, com a produção de 10 mil barris por dia. Ao falar ao deputados da comissão especial da Câmara que analisa o projeto que define o sistema de partilha para a produção do petróleo na camada do pré-sal, Gabrielli também comentou que cada poço a ser perfurado custará aproximadamente US$ 100 milhões. “Tem que contratar sonda, perfurar e preparar o poço para entrar em produção. O custo disso é de cerca de US$ 100 milhões por poço”, explicou.