O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou que a grande mudança na economia brasileira é que o País já deixou a fase de construir as bases para o crescimento e já, efetivamente, está crescendo de forma sustentável. Em entrevista coletiva após o término da audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles voltou a mencionar dados sobre o avanço das vendas, aumento da renda, da produção e da queda da taxa do desemprego, que, segundo ele, mostram que o País vai registrar expansão acima de 4%. "O Brasil já está usando as bases construídas e cresce a taxas pujantes", declarou o presidente do BC.

Ele evitou emitir opinião em relação à decisão, na próxima semana, sobre a meta da inflação. "Não antecipamos os nossos votos para a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN)", disse. Meirelles disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conversou com ele sobre o tema.

Em resposta ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o presidente do BC disse que uma série de países que usam o regime de metas de inflação, como o Chile, Peru e Austrália, a inflação ficou, em boa parte do tempo, abaixo do centro da meta. Mercadante disse que não era comum um país em regime de metas ficar com a inflação por mais de 12 meses inferior ao centro da meta, como ocorre com o Brasil atualmente.

CPMF

Meirelles afirmou que embora a CPMF possa ter algumas desvantagens, ela é necessária para o equilíbrio fiscal do setor público e, nesse sentido, é importante para manter a trajetória de queda da relação dívida/PIB. Ele observou que as discussões sobre a eliminação de um determinado imposto é um desafio complexo porque pressupõe a substituição por outro ou a eliminação de gastos. "Qualquer redução de imposto tem que ter contrapartida. A discussão sobre um imposto mais eficiente é importante, mas complexa", disse.

Para o presidente do BC, a economia brasileira vive hoje um grau de estabilidade tal que permite que o País faça uma discussão sobre como ampliar a eficiência do sistema de arrecadação dos impostos, um tema da reforma tributária, que envolve Estados e municípios.