Londrina (AE) – O governo do Paraguai pediu ao Itamaraty que interceda junto à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), órgão de vigilância sanitária do Mato Grosso do Sul, para que os pecuaristas brasileiros com terras naquele país, os ?brasiguaios?, deixem de ser pressionados a assumir que seu rebanho está contaminado pelo vírus da febre aftosa.

As autoridades paraguaias foram informadas dessa pressão quarta-feira pelo jornal ABC Color, de Assunção, que reproduziu uma carta assinada pelo diretor do Iagro, João Cavallero, destinada a um brasiguaio. Segundo o jornal, centenas de cartas com o mesmo teor foram despachadas pelo Iagro. Cavallero reconheceu a autoria da carta. A correspondência informa o destinatário que o órgão recebeu denúncia sobre a presença da aftosa na propriedade dele e ameaça processá-lo ?civil e criminalmente? se continuar omitindo a ocorrência.

O pedido de intercessão, acompanhado de uma proposta para que representantes dos dois governos se reúnam para discutir a melhor forma de combater a aftosa na fronteira brasileiro-paraguaia, foi feito pela chanceler Leila Rachid ao seu colega Celso Amorim após reunião, convocada por ela, com o diretor do Serviço Nacional de Controle de Sanidade Animal (Senacsa), Hugo Corrales, na tarde de quarta-feira.

Corrales viajou ontem a Montevidéu para participar da reunião do Comitê Veterinário Permanente. Ele promete protestar formalmente junto a este órgão pela denúncia do diretor do Iagro feita esta semana, de que o Paraguai esconde a ocorrência da febre aftosa e que seriam animais daquele país os responsáveis pelo reaparecimento do vírus no MS. ?É a quinta vez em menos de um ano que autoridades brasileiras nos responsabilizam pela doença que surgiu lá?, desabafou Corrales.

O primeiro foco da doença no MS foi detectado em outubro do ano passado e ele teria contaminado, segundo o Ministério da Agricultura, o rebanho paranaense – situação que o governo do Paraná não reconhece. O Paraguai é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como país livre da aftosa com vacinação.

A suspeita de surgimento de um foco de aftosa no Paraguai, surgida na semana passada, quando 16 animais manifestaram rachaduras nos cascos – um dos sintomas da doença – levou o MS a reforçar as barreiras sanitárias com o Paraguai. O governo do Paraguai adotou o mesmo procedimento em Guaíra, na quarta-feira.