Paraísos fiscais, seja em economias desenvolvidas ou em desenvolvimento, podem agravar o impacto da crise de diversas formas, segundo o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría. A mais séria é por encorajar alterações “opacas e desestabilizadoras de risco regulatório”, completou em pronunciamento feito hoje no Comitê de Desenvolvimento, fórum conjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), em Washington.

Os paraísos fiscais, acrescentou Gurría, também podem prejudicar Tesouros e contribuintes, que têm de aguentar os custos dos esforços imediatos para dar suporte aos sistemas financeiros. “Estas distorções podem minar a percepção pública sobre justiça e o apoio público para os sistemas tributários e nos programas de recuperação da crise financiados por eles.”

O secretário-geral acrescentou que “o desvio contínuo de recursos prejudica especialmente as economias em desenvolvimento, geralmente afetadas de forma desproporcional pela fuga de capital em direção a paraísos fiscais”. “A crise poderia ser um novo condutor para corrupção no mundo, uma vez que se reduzem oportunidades para atividade econômica legítima e aqueles envolvidos em corrupção procuram portos seguros para os ativos adquiridos ilegalmente”, completa o secretário-geral da OCDE.

Gurría estimou que, ao final de 2010, a taxa de desemprego na região compreendida pelos países integrantes da OCDE deve atingir dois dígitos pela primeira vez desde o início da década de 1990. “A área da OCDE está no meio da mais profunda e ampla recessão em mais de 50 anos”, afirmou.