Depois de 15 dias de paralisação, a greve dos bancários chegou, ontem, ao fim na maioria das cidades do Paraná. Assembleias dos grevistas foram realizadas em vários locais, e a maior parte, até o início da noite, seguiu a recomendação do Comando Nacional dos Bancários, aceitando o acordo proposto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na última segunda-feira (11).

Entre uma série de pontos, o acordo definiu um aumento de 7,5% aos profissionais. Em Curitiba, as agências privadas e da Caixa Econômica Federal devem funcionar normalmente. Até o fechamento desta edição, faltava votar apenas a proposta do Banco do Brasil.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Otávio Dias, avaliou que a greve teve um desfecho positivo, depois de uma campanha salarial que classificou como “tensa”.

“Houve avanços, como um aumento real de mais de 3% e um valor significativo no piso”, afirmou, destacando também uma ampliação no programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a inclusão de cláusulas sobre assédio moral.

O sindicalista ainda destacou a PLR da Caixa o novo Plano de Carreiras, Cargos e Salários do BB. “Este era um pleito antigo, de mais de 10 anos, dos funcionários”, disse.

No entanto, Dias também criticou a postura dos bancos no início da campanha salarial. “Não tinha necessidade de colocar os trabalhadores em greve. Os banqueiros foram intransigentes e irresponsáveis, perderam oportunidades de assinar um acordo desse nível antes”, opinou. A paralisação foi considerada uma das maiores dos últimos anos, no País.

O sindicalista ainda recriminou a postura dos bancos durante a greve, ressaltando principalmente a utilização de práticas que considerou “antissindicais”, como os vários pedidos de interditos proibitórios (medidas que impediam bloqueios dos sindicatos nas portas das agências) à justiça do trabalho e o constrangimento de trabalhadores.

“Muitos bancários também foram obrigados a registrarem em cartório que estavam impedidos de entrar nas agências. Eles aprovavam a iniciativa da greve, mas também se preocupavam com seus empregos”, explicou.

Acordo

A base da proposta da Fenaban para os funcionários dos bancos privados é um aumento de 7,5%, que equivale a um reajuste real, descontada a inflação, de 3,1%.

O índice vale para quem ganha até R$ 5.250 mensais. Já os salários maiores terão um adicional de R$ 393,75 ou 4,29%, correspondentes à inflação dos últimos 12 meses, valendo o que for mais vantajoso para o funcionário.

No BB e na Caixa, o reajuste de 7,5% atingirá para todos os empregados, independentemente do salário. O piso foi elevado para R$ 1,6 mil. Os dias parados serão compensados entre a data da assinatura da Convenção Coletiva e o dia 15 de dezembro.