A produção de alimentos orgânicos no Paraná subiu 35% na última safra agrícola. A informação é resultado de levantamentos realizados pela Emater e o Deral – Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento. Na safra 2001/02 a produção paranaense aumentou de 35,5 mil toneladas para 47,9 mil toneladas. O número de produtores também cresceu de 3.077 para 3.478 – um aumento de 30%.

Para o extensionista Iniberto Hamerschmidt, implementador do projeto de agricultura orgânica da Emater, o interesse pela produção de alimentos sem o uso de adubos químicos sintéticos e agrotóxicos vem subindo porque o produtor começa a perceber que é importante produzir sem agredir o meio ambiente e sem colocar em risco a saúde da família e das pessoas que trabalham na propriedade.

“A pressão exercida pelos consumidores, exigindo cada vez mais um produto limpo, livre de resíduos tóxicos e nutritivamente superior é outro fator que tem motivado os agricultores a apostar nesse sistema de produção”, explica.

O Paraná cultivou na última safra 12,9 mil hectares com a agricultura orgânica. Esta área é 27% superior a plantada em 2000/01, que foi de 10,2 mil hectares. A soja é a cultura que ocupa maior espaço, 7,6 mil hectares, 70% desta área localizada nas regiões Oeste e Sudoeste, nos municípios de Pato Branco, Francisco Beltrão, Cascavel e Toledo. O volume colhido no período analisado foi de 16,2 mil toneladas, resultado que coloca o Paraná na condição de maior produtor nacional desta oleaginosa.

O Estado se destaca ainda na produção de hortaliças, cana-de-açúcar, café, frutas, plantas medicinais, erva-mate, milho, trigo, feijão, arroz e mandioca. O cultivo de hortaliças está concentrado na Região Metropolitana de Curitiba e na safra 2001/02 alcançou a produção de 4,7 mil toneladas, volume 90% maior do que o obtido na safra anterior.

Depois da lavoura de soja orgânica, que envolve 854 agricultores, a produção de legumes é a exploração que reúne o maior número de famílias na atividade. No período 2001/02 foram 640 propriedades que trabalharam com o cultivo de hortaliças, numa área de 543 hectares.

A cana-de-açúcar orgânica, considerando o volume de produção, de 8,8 mil toneladas, é a segunda cultura mais importante do Estado. Usada na agroindústria, ela permitiu a elaboração de mil toneladas de açúcar mascavo e outros produtos transformados, como o melado, rapadura e cachaça artesanal. Concentrada na região do Norte Pioneiro (Jacarezinho), a cana-de-açúcar é cultivada por 165 produtores numa área de 201 hectares.

Segundo Iniberto Hamerschmidt, no estudo feito pela Emater e o Deral foi constatado que a área média de cultivo com produtos orgânicos no Paraná é de 3,73 hectares por propriedade. “Este sistema consegue dar ao produtor uma remuneração até 50% maior, se comparado com o sistema convencional. Isso explica porque ela está presente, especialmente, em pequenas propriedades”, diz.

Com exceção da soja, açúcar mascavo e café boa parte deles destinados à exportação, a maioria dos produtos orgânicos tem como destino o mercado local. “As feiras-livres se constituem num espaço privilegiado para a comercialização de alimentos.

A Emater desde 1982 vem trabalhando no Paraná buscando a divulgação da agricultura orgânica. Atualmente, a empresa que é ligada ao Sistema Estadual de Agricultura, têm 60 profissionais atuando no campo, dando assistência direta a cerca de 2 mil produtores que lidam com a agricultura orgânica.

“Dos 60 técnicos, 50 deles tem especialização em nível de pós-graduação e até o final do ano deveremos ter mais 7 funcionários concluindo cursos na área. A agricultura orgânica é uma das prioridades do atual governo e a Emater, na condição de órgão oficial de extensão rural, está preocupada em dar esse respaldo técnico que a prática da agricultura orgânica exige?, conclui Hamerschmidt.