Agência Brasil
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Jacinto Ferreira, da Conab: "Não
haverá desabastecimento".

Depois de vários anos consecutivos liderando a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, o Paraná está perdendo a posição para o Mato Grosso. Conforme o sexto e último levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado ontem, a produção paranaense na safra 2004/2005 deve ficar em 22,308 milhões de toneladas – queda de 13,2% em relação à safra anterior. Já o Mato Grosso deve fechar o ano com a produção estimada em 24,303 milhões de toneladas.

?Até o ano passado, o Paraná sempre foi o primeiro e o Mato Grosso o segundo. Este ano, o Mato Grosso superou o Paraná?, apontou o gerente da área de avaliação de safra da Conab, Eledon Pereira de Oliveira. Segundo ele, dificilmente o Paraná conseguirá recuperar a liderança nos próximos dois a três anos. ?O Mato Grosso dispõe de área de fronteira agrícola. Ainda não plantou um quinto da área que pode. Já o Paraná precisaria aumentar a produtividade?, explicou Oliveira. Na terceira posição aparece o Rio Grande do Sul, que deve fechar o ano com produção de 12,919 milhões de toneladas, apesar da forte estiagem que afetou o Estado e provocou queda de 53% na safra de soja.

No Paraná, a falta de chuva também foi o principal fator que comprometeu a safra agrícola. Em dezembro, conforme estimativa da Conab, era esperada a produção de 12,244 milhões de toneladas de soja mas, por conta da estiagem, a safra ficou em 9,541 milhões de toneladas, ou seja, queda de 22,1%. Também houve queda (de 4,9%) na comparação com a safra anterior, quando foram colhidas 10,036 milhões de toneladas da oleaginosa. Importante lembrar que este ano a área de soja aumentou 5,4%, passando de 3,935 milhões de hectares para 4,148 milhões.

A estiagem também afetou outra cultura, a do milho, que sofreu queda de 25,4% na comparação com a safra anterior. São 8,344 milhões de toneladas esperadas para este ano, contra 11,192 milhões de toneladas colhidas no ano passado. De acordo com Oliveira, até o final do mês deve ser concluída a colheita da segunda safra de milho no Paraná (milho safrinha) e pouca coisa deve mudar até lá. No caso do milho, a área plantada diminuiu este ano, passando de 2,447 milhões de hectares na safra 2003/2004 para 1,969 milhões – queda de 19,5%. As duas culturas juntas (soja e milho) representam quase 80% da produção paranaense.

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Em nível nacional, a previsão da safra 2004/2005 aponta para uma queda de 4,75% na produção de grãos em relação à safra anterior. A estimativa é que sejam colhidos 113,5 milhões de toneladas, contra 119,1 milhões na safra 2003/2004.

?Apesar da queda na safra, na previsão da Conab, não haverá desabastecimento de produtos no mercado interno?, avaliou Jacinto Ferreira, presidente da Conab.

A queda na projeção é maior (14%) se for levado em conta o segundo levantamento, feito em dezembro. Na época, a Conab previa uma safra de 131,9 milhões de toneladas – o primeiro levantamento é mais voltado para projeções de área plantada.

Segundo o presidente da Conab, essa projeção menor em relação ao mês de dezembro representa uma perda de R$ 10 bilhões – essa é a expectativa de decréscimo na produção. Esse cálculo, segundo Ferreira, leva em conta só a perda física e não contabiliza o recuo dos preços no mercado interno.

As lavouras mais afetadas pela seca foram a de milho e soja. Para Ferreira, a estiagem foi a pior dos últimos dez anos.

Da atual safra, a Conab estima que 37,89 milhões de toneladas serão exportadas, o equivalente a cerca de US$ 9,277 bilhões (13,5% do PIB do setor agropecuário).

Para a safra 2005/2006, a projeção inicial é de uma produção de 125 milhões de toneladas, mas o primeiro levantamento da Conab será divulgado apenas em outubro. ?É muito cedo ainda.? Apesar disso, ele adiantou ainda que a previsão para a colheita de soja é de 60 milhões de toneladas. Nessa safra, foram 51,09 milhões.

Em relação à área plantada, a Conab prevê 48,736 milhões de hectares na safra 2004/2005, o que significa um aumento de 2,8% sobre o ocorrido na safra anterior.