O Brasil sofreu, em dezembro, uma queda de 1,8% no emprego industrial, em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. O índice foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e é o maior declínio registrado desde o início da série da pesquisa, em 2001.

O resultado já é o terceiro negativo consecutivo – somadas, as perdas acumulam 2,5%. Ainda assim, o emprego no acumulado de 2008 ficou positivo, com alta de 2,1% no Brasil e 1,06% no Paraná.

Em comparação a dezembro de 2007, a queda foi de -1,1%, a primeira negativa do País após 29 meses consecutivos de expansão. No Paraná, a taxa foi ainda menor: -3,05%.

De acordo com o economista da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, setores como vestuário e madeira – este com uma queda de 21% – estiveram entre os principais responsáveis pela queda nos índices, tanto no Paraná como no restante do País.

“Alguns setores que vinham pressionando positivamente o emprego também mostraram menores índices de crescimento ou taxas negativas”, completa Macedo.

Ele destaca os setores dos meios de transporte, que apresentou queda de 1,09% em dezembro, e o de máquinas e equipamentos, que cresceu 5,2% – um ritmo considerado por ele bem menor que a média, de 20,4%. “Esses setores vinham liderando o crescimento do emprego industrial no Paraná”, aponta.

Além do Paraná, São Paulo (-0,8%), Santa Catarina (-3,2%), e a região Nordeste (-2%) exerceram, segundo o relatório do IBGE, as pressões negativas mais significativas no índice, em comparação a dezembro de 2007. São Paulo, que responde por aproximadamente 35% do emprego industrial, não mostrava queda nesse indicador desde abril de 2004 (-0,8%).

Segundo o economista do IBGE, os resultados negativos do mercado de trabalho do setor industrial em dezembro refletem a forte perda de dinamismo na produção do setor no último trimestre do ano passado.

Macedo observa, ainda, que o emprego habitualmente responde com defasagem aos movimentos na atividade, mas como a perda na produção no final do ano passado foi muito intensa, ainda não é possível saber se os resultados na ocupação de dezembro são um “contágio final” ou tendem a se aprofundar nos próximos meses.

Renda

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria caiu 0,7% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. Foi a terceira taxa negativa consecutiva apurada nessa base de comparação.

Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados da folha continuaram positivos: 4,1% ante dezembro de 2007 e 6,0% no acumulado no ano. No Paraná, os índices ficaram, respectivamente, em 5,36% e 7,73%.