A produção de veículos e máquinas agrícolas no Paraná fechou o mês de março com alta de 20,69% – passou de 15.514 unidades produzidas em fevereiro para 18.724. Também no acumulado dos três primeiros meses, houve o registro de crescimento em comparação ao mesmo período do ano passado: de 45.519 unidades para 49.212. O crescimento acompanhou o desempenho nacional, cuja variação foi de 23,43% em março e 14,45% no trimestre.

No acumulado de janeiro a março, as montadoras Renault, Volvo e Case New Hol-land (CNH) foram as que apresentaram o melhor desempenho – na Renault, o modelo comercial-leve “X Terra” registrou crescimento de 398%; a produção do ônibus da Volvo aumentou 136%, enquanto a colheitadeira da CNH, 43%. De acordo com Cid Cordeiro, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos no Paraná (Dieese-PR) o índice elevado da Renault se deve ao fato de que, no ano passado, a produção do veículo estava apenas começando – foram apenas 193 unidades no primeiro trimestre de 2003. Já a grande produção de ônibus pela Volvo se deve ao aumento de exportações: do total produzido (118 unidades), 62% foram para o exterior.

Em relação às colheitadeiras, Cordeiro define o aumento como resultado de um ?círculo virtuoso?. “Com a agricultura produzindo mais, a renda do produtor aumenta. Também os juros dos maquinários estão mais baixos”, considerou o economista. O número de unidades produzidas passou de 705 – primeiro trimestre de 2003 – para 1.005 este ano. O aumento na produção refletiu em novas contratações na Case New Hol-land: foram criados 340 postos de trabalho no período.

Também apresentaram desempenho positivo no trimestre a Volkswagen (27,50%), com 23.606 automóveis produzidos; a Volvo (52,85%), com 2.065 unidades, entre ônibus e caminhões; Case New Holland (12,70%), 3.350 unidades, entre tratores e colheitadeiras; Renault (1,25%), com 15.690 automóveis de passageiro, e a Nissan (0,79%), 2.053 unidades. Apenas a Audi apresentou queda de produção (-38,83%), com 1.802 unidades produzidas. Também na comparação de março, a única queda registrada foi na Audi (-8,90%).

Segundo Cid Cordeiro, o bom desempenho do primeiro trimestre se deve ao mês de março. O aumento das exportações, segundo ele, foi o principal fator. A Volks exportou 48% de sua produção, a Volvo, 62% e a CNH (tratores), 33%.

Participação

Apesar do aumento na produção, as montadoras instaladas no Paraná registraram queda na participação nacional: de 10,09% no primeiro trimestre do ano passado para 9,53% este ano. Segundo Cordeiro, a queda se deve à grande produção da Ford, na Bahia, e da GM, no Rio Grande do Sul.

De acordo com o economista, o Paraná também estaria perdendo a 3.ª colocação na produção de veículos de passageiros e mistos. No primeiro trimestre, as três montadoras do segmento (Renault, Volks e Audi) produziram juntas cerca de 41 mil veículos; enquanto isso, a Ford, instalada em Camaçari (BA) produziu entre 40 e 44 mil unidades. Os carros-chefes são o Ford EcoSport e o Fiesta.

Emprego

Na contramão, o nível de emprego no setor automotivo apresentou queda em março (-0,69%), o que representa perda de 53 empregos. No trimestre, a queda foi de 0,30% – 23 empregos a menos. Em março, o número total de empregos diretos nas montadoras do Paraná era de 7.635.

Sindicato suspende acordo

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, anunciou ontem que não irá assinar acordo com a montadora Volks/Audi, que qualificaria 400 pessoas a uma bolsa-auxílio no valor de R$ 530,00, pago pela montadora. O acordo seria selado hoje, na sede do sindicato. Segundo Butka, a montadora não estaria respeitando o combinado.

“A proposta era de que eles (aprendizes) não seriam utilizados na produção, e não é isso o que vem ocorrendo. Estamos recebendo várias denúncias nesse sentido”, assegurou Butka. No projeto piloto, 60 pessoas estão sendo treinadas na linha de produção desde janeiro, em troca de uma bolsa-auxílio no valor de R$ 150,00. O sindicato pede que essas 60 pessoas sejam admitidas na montadora e passem a receber o piso, que é de R$ 930,00.

A assessoria de imprensa da Volks/Audi informou ontem no final da tarde que a empresa foi apanhada de surpresa pela decisão do Sindicato, e que vai continuar negociando o acordo.

Nível de emprego também cresceu

O nível de emprego formal aumentou 1,06% em março, no Paraná – índice superior à média nacional, de 0,46%. Foram criados, ao todo, 17.010 empregos, a maior parte deles (77,4%) no interior. No acumulado do ano (janeiro a março), a variação foi de 2,20%, com a geração de 34.923 novos postos de trabalho. Com o resultado de março, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Estado é de 1,619 milhão. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged, Ministério do Trabalho – e foram divulgados ontem pelo Dieese-PR.

A indústria de transformação, o comércio e o setor de serviços puxaram o nível de empregos em março. Os três segmentos geraram juntos 15.085 empregos – 88,7% do total. Conforme balanço apresentado, seis dos oito setores apresentaram aumento no nível de emprego. Entre os subsetores, destaque para a indústria de alimentos e bebidas (4.420 empregos), indústria de madeira e mobiliário (1.178) e indústria têxtil e de vestuário (945).

Na comparação com o primeiro trimestre, o desempenho este ano foi o melhor da série iniciada em 1990. A geração de 34.923 empregos foi 63% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (21.326).

Na comparação com outros estados, o Paraná ocupou a sexta posição em variação percentual, em março. No acumulado do ano, caiu para a décima posição.

Quanto ao desemprego, a estimativa é que na Região Metropolitana de Curitiba haja cerca de 200 mil desempregados; em todo o Paraná, o número sobe para 570 mil.