Testes na gasolina de vários postos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontou, em seu último levantamento, que a adulteração da gasolina no Paraná chegou a 22% em março último. Em fevereiro, o índice era de 7,5%. Já no período de janeiro a março, o índice foi de 12,1%. A grande quantidade de amostras em inconformidade com a legislação – em março, das 692 amostras coletadas, 152 estavam em inconformidade – foi um dos motivos que o levou o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados do Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR) a lançar duas campanhas: uma, que pretende combater a adulteração e a sonegação de impostos no setor, e outra, que mostra através de banners a composição do preço da gasolina e do diesel.

“O posto de gasolina sempre é colocado como vilão dos preços. Vamos mostrar que não é assim”, defende o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese. “Não temos nada a esconder, e o forte desta campanha é a transparência.”

Diesel e álcool

Embora em menor proporção, a adulteração do óleo diesel e do álcool hidratado também preocupa. De janeiro a março, segundo levantamento da ANP, 8,9% das amostras coletadas de óleo diesel no Paraná estavam adulteradas – 62 das 693 amostras -, além de 5,3% das amostras de álcool hidratado – 18 das 301 recolhidas.

Um dos aspectos que chama a atenção no levantamento da ANP é que, em 2000 era o óleo diesel o principal vilão: apresentava 33% de adulteração, contra 7,8% da gasolina e 2,5% do álcool. Um ano depois, o índice do óleo diesel baixou para 11,4%, a gasolina para 6,7% e o álcool hidratado, 4%. No ano passado, o índice do diesel foi 10,4%, da gasolina 6,6% e do álcool, 3,4%. “Queremos que o governo estadual colabore para inibir a adulteração e a sonegação”, pediu.

Composição de preço

Conforme tabela divulgada pelo Sindicombustíveis e que está estampada em diversos postos, a composição do preço de um litro da gasolina se apresenta da seguinte forma: R$ 0,584 (27,9%) se referem a imposto estadual – ICMS; R$ 0,433 (20,7%) a impostos como Cide, Pis e Cofins; R$ 0,209 (10%) à margem bruta de distribuição – revenda, frete, armazenagem; R$ 0,554 (26,5%) ao preço da gasolina “A”; R$ 0,206 (09,9%) ao preço do álcool anidro e R$ 0,104 (0,5%) à taxa de cartão de crédito. O valor total do litro, segundo o sindicato, é de R$ 2,09.