Soja: clima favoreceu.

Se a safrinha de inverno de milho confirmar as previsões, o Paraná vai bater em 2002/2003 o recorde na produção de grãos: pouco mais de 24 milhões de toneladas. Este volume, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, representa aumento de 19,5% em comparação ao ano passado – 20,1 milhões de toneladas. Milho e soja respondem por 95% do volume de grãos colhidos nesta safra de verão.

Condições climáticas favoráveis, adoção de tecnologias modernas e aumento no nível de profissionalismo do agropecuarista explicam o aumento significativo na produção, comenta o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Orlando Pessuti.

“O agropecuarista não encara mais sua atividade como dependente somente do bom clima. Ele se moderniza, investe em pessoal e vê sua propriedade como integrante do agronegócio. Está também consciente de que precisa produzir mais e melhor, com menores custos e segundo as exigências de mercado,” disse ao comentar, em Maringá, a boa performance do campo.

Otimismo

Embalado pelas boas perspectivas de preços, especialmente em relação à soja, os produtores rurais voltam a acreditar em seu negócio depois de amargarem prejuízos em anos anteriores. Algodão, amendoim, arroz, café, feijão, milho e soja ocuparam 7 milhões de hectares, representando crescimento de 7,3% comparativamente ao último plantio.

A safra normal de milho vai atingir 8 milhões de ton. -alta de 7% na produção. A área plantada caiu 3,6%. O aumento no volume explica-se pelo ganho de 11,6% na produtividade. Os paranaenses colheram, em média, 5,5 mil kg/hectare. O Deral estima que, somando-se as semeaduras de verão e inverno deste cereal, o Estado pode chegar a 12,2 milhões de toneladas, elevação de 26,6% na produção.

Com a colheita praticamente encerrada, a soja continua sendo o carro-chefe entre os grãos. A produtividade apresenta os mesmos níveis alcançados nos Estados Unidos: em média, 3.000 kg/hectare. Ou seja, 200 kg/hectare a mais em relação à safra anterior. Cultura de grande rentabilidade porque, segundo os produtores, 40 sacas por alqueire são suficientes para cobertura das despesas diretas. E o rendimento médio oscila entre 80 e 120 sacas/alqueire. No Oeste e Sudoeste, a produtividade foi, no geral, de 3.100 kg/hectare.

Café e culturas de inverno

Quanto ao algodão, com queda de área de 16,3% e 29,4 mil hectares cultivados, o volume produzido não excede a 68,2 mil toneladas em caroço. Algo em torno de 16% a menos que a colheita passada. Enquanto isto, o feijão das águas, da seca e de inverno abre perspectiva para produção de 698 mil toneladas. Crescimento de 12,4% comparativamente a 2001/2002. O amendoim, com 7,5 mil toneladas e arroz com, 175 mil toneladas, entram na contabilização da safra de verão.

O café, responsável direto pelo aparecimento de mais de uma centena de cidades no Norte e Noroeste do Estado nos anos 40, 50 e 60, apresenta volume de 1,67 milhão de sacas beneficiadas. Predominam pequenas áreas familiares e plantio super-adensado pela estratégia de diversificação de atividades para redução de riscos financeiros.

Em relação à safra de inverno, aveia, canola, centeio, trigo e triticale, conjuntamente, apresentam possibilidade de plantio de 1,4 milhão de hectares. Expansão de 6% na área. Em condições normais, o Paraná vai produzir neste inverno 3,3 milhões de toneladas. Volume 70% superior ao ano passado, quando ocorreram fortes geadas.