“Meu namorado não come chocolate. Você pode fazer algo diferente de Páscoa?”. Quando esta mensagem de uma cliente apitou no celular de Marilza Veiga, ela não teve dúvidas. Faria uma coxinha de Páscoa, com a tradicional massa frita e recheio de frango. Nascia o “coxovo”, iguaria de 1,3 quilogramas que ganhou fama na internet e hoje faz a quituteira sonhar com um negócio próprio.

Aos 41 anos, Marilza trabalha desde os 11, dividida entre as funções de babá e empregada doméstica. Foi há três que ela lançou o Mari Salgados, para vender salgados por encomenda. A ideia era juntar um dinheiro extra para reformar a cozinha de casa.

As coxinhas alternativas sempre estiveram entre as suas receitas. “Eu faço a massa em formato de estrela, coração. E é bem procurado”, contou a cozinheira, em conversa com a Gazeta do Povo. Mas foi o coxovo que alçou o bico à condição de negócio.

Depois da primeira encomenda, Marilza postou a foto da coxinha gigante, com 1,3 kg, na sua página de Facebook. Ninguém deu bola. Ela também distribuiu a imagem aos contatos do WhatsApp, e recebeu um pedido de clientes fiéis, que trabalham em uma farmácia de Cascavel, no Oeste do Paraná, onde ela mora.

Foi um rapaz deste grupo que mandou a imagem para o blog Não Salvo, que compartilhou a “coxinha de Páscoa” em suas redes sociais. O sucesso foi imediato. Mas a cozinheira não sabia de nada até receber a notícia de um afilhado seu, lá de Rondônia. Pela noite, o cliente confirmou: “mandei para um blog e elas estão famosas!”.

As encomendas começaram a chegar. Coincidiu que aquele era o último dia de Marilza em seu antigo emprego como doméstica, o que a liberou para passar 48 horas seguidas produzindo as coxinhs gigantes.

Brasil inteiro em busca do coxovo

Pelas redes sociais, chegaram pedidos do Brasil inteiro. Pedidos de apelo. “Me manda por Sedex, eu pago qualquer valor”, dizem os clientes. “Mas não tem como, é um produto perecível”, explica a cozinheira, que tem como princípio sempre entregar produtos frescos.

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O Mari Lanches ainda não consegue ganhar escala nacional. Mas já expande pela região. Na última semana, um rapaz foi de ônibus de Medianeira até Cascavel (cerca de 100 km de distância) só para comprar o “coxovo”. Pegou a comida na rodoviária, e ali mesmo embarcou de volta para sua cidade.

Compradores de Guaraniaçu, a 80 km de distância, e de “uma cidadezinha perto de Foz” do Iguaçu já foram comprar suas coxinhas gigantes. Agora, Marilza está às voltas com o desafio de mandar uma unidade para Londrina, distante quase 400 quilômetros. É para um pai, que encomendou para a filha. “Eu falei para ele ‘moço, é coxinha, carne de frango!’, mas vou ter que dar um jeito, embalar bem, colocar numa térmica”.

Autonomia financeira no horizonte

O sucesso do “coxovo” e o fim de seu contrato de trabalho acenderam um alerta na vida de Marilza Veiga. Talvez tenha chegado o momento de realizar um sonho antigo, de parar de trabalhar fora e ganhar a vida vendendo massas caseiras.

“Minha vida toda, desde os 11 anos eu trabalhei, só parei para cuidar dos meus filhos. Eu falei para o meu marido: está na hora de diminuir o ritmo”. Ela recentemente comprou um forno novo para fazer assados, como pão caseiro, e pensar em investir em massas coloridas.

A coxinha gigante ajudou como uma vitrine. Mas o retorno financeiro não é tão grande, já que cada unidade (vendida a R$ 30) vai em uma embalagem que custa quase R$ 8. “Como ela pesa 1,3 kg, o lucro é mínimo”.

Mas a comida é um chamariz para outros produtos da Mari Lanches. Um deles é o ovo de Páscoa “casadinho”, feito de uma coxinha metade frango, metade carne moída (com cerca de 550 gramas cada sabor). Os ovos doces, com 500 e poucas gramas cada, também estão vendendo bem. São três opções: brigadeiro com cobertura de chocolate ao leite, beijinho com chocolate branco e churros (doce de leite com canela).