O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) adotou a decisão nesta semana de desvalorizar o yuan para combater qualquer ameaça de deflação e também para melhorar o fluxo de capital com o exterior, de acordo com economistas. Nesta terça-feira, o BC chinês disse que manterá a moeda em um “nível de equilíbrio razoável” e se comprometeu a garantir um fluxo de capitais “ordenado”.

O analista Angus Nicholson, da IG Markets, afirmou que o yuan poderia depreciar 10% ou mais ao longo dos próximos 12 meses. O PBoC, porém, rechaçou as especulações de que a desvalorização poderia chegar a 10%. Porém, as pressões deflacionárias e as condições monetárias cada vez mais apertadas devem forçar novamente o BC chinês a agir em algum momento, na avaliação de Nicholson. “Muita gente no mercado está especulando que isso é primariamente para fortalecer as exportações e estimular uma economia que desacelera. Ainda que isso sem dúvida ajude, a preocupação principal para o governo é a deflação”, afirma ele.

O secretário do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, disse que a intenção do banco central chinês é “facilitar maiores fluxos de capital”. A declaração foi dada após ele conversar com autoridades chinesas.

O economista Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics, disse que as declarações de hoje do PBoC mostram que a desvalorização desta semana foi um evento pontual, e não uma tentativa de realizar uma depreciação competitiva em grande escala. Segundo o analista, ainda que o yuan possa cair um pouco mais nos próximos dias, a maior parte da depreciação já ocorreu.