Desde outubro do ano passado, em todo o mundo, as Bolsas de Valores vêm sofrendo perdas consideráveis por causa da crise financeira internacional De acordo com quadro apresentado nesta quinta-feira (18) pelo Banco Central (BC), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, de outubro de 2007 até dezembro deste ano, as perdas somam US$ 31 trilhões.

Em outubro do ano passado, as Bolsas de Valores acumulavam riquezas de quase US$ 65 trilhões. Conforme os números apresentados pelo BC no Senado, nos primeiros dez meses de 2007, os resultados de tais instituições foram promissores: o montante de riquezas, em janeiro, era de US$ 50 trilhões e cresceu substancialmente mês a mês, até começar a decair em outubro.

As intervenções governamentais para recapitalização de bancos em nove grandes mercados financeiros, depois de deflagrada a crise, significaram a aplicação de US$ 595 bilhões nos últimos dois meses. Os Estados Unidos gastaram US$ 250 bilhões para irrigar os bancos; a Alemanha, 100 bilhões de euros; a Inglaterra, 50 bilhões de libras; a França, 40 bilhões de euros; a Holanda, 20 bilhões de euros; a Áustria, 15 bilhões de euros; o Qatar, US$ 5,3 bilhões; a Bélgica, 4,7 bilhões de euros; e a Suíça, 6 bilhões de francos.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou aos senadores que já foram aplicados no Brasil US$ 53,4 bilhões para conter a disparada do dólar, de dois meses para cá, em conseqüência da crise financeira mundial. Desse total, US$ 28,9 bilhões foram colocados no mercado em forma de títulos cambiais para resgate futuro, tendo sido lançadas outras linhas de recompra no valor de US$ 10,8 bilhões.

Das reservas externas, foram usados US$ 9,4 bilhões. Foram movimentados no mercado de câmbio no período US$ 2,4 bilhões advindos do comércio exterior, e o Banco Central obteve ganhos de US$ 1,5 bilhão com o adiamento da rolagem de contratos de câmbio (swaps reversos).