Pesquisa divulgada pelo Sebrae no Paraná revela que as micro e pequenas empresas com mais de dois anos de funcionamento têm uma taxa de sucesso de 74,8%. Ou seja, de cada 100 pequenos negócios abertos no Estado, 75 dão certo, no período considerado mais crítico para as micro e pequenas empresas. A pesquisa, realizada em todos os estados brasileiros pelo Instituto Vox Populi, analisa a média de mortalidade das micro e pequenas empresas abertas entre 2003 e 2005 e os fatores de sobrevivência e fechamento. O número pode ser considerado mais um passo para o fortalecimento do setor, já que a taxa nacional de sucesso, apurada em pesquisa anterior, com empresas abertas entre 2000 e 2002, era de 50,6%. No Paraná, o Vox Populi entrevistou 413 proprietários, ex-proprietários, sócios e ex-sócios nos setores da indústria, comércio e serviços, de 25 de abril a 30 de junho, em municípios de maior peso populacional. A margem de erro da pesquisa é de 4,8%, uma confiança de 95%.

Dentre os principais fatores de sucesso das micro e pequenas empresas paranaenses, apontados pelos próprios empresários, estão, nesta ordem, a capacidade empreendedora (persistência, perseverança, criatividade, aproveitamento de oportunidades, capacidade de assumir riscos, capacidade de liderança); logística operacional (escolha de um bom administrador, uso de capital próprio, reinvestimento dos lucros na empresa, acesso a novas tecnologias, terceirização das atividades meio da empresa); e habilidades gerenciais (bom conhecimento do mercado onde atua e boa estratégia de vendas). Planejamento e organização empresarial, tanto para as empresas em atividade quanto para as inativas, são as áreas de conhecimento mais destacadas pelos empresários. "Quando os empresários buscam as soluções para seus negócios no Sebrae, a taxa de sucesso pode ser ainda maior, por volta de 80%. Empreendedor não é somente aquele que tem idéias, mas aquele que as coloca em prática, sempre acompanhado de planejamento", avalia o diretor superintendente do Sebrae no Paraná, Allan Campos Costa.

A pesquisa mostra que dos funcionários empregados pelas micro e pequenas empresas paranaenses, 56% são familiares que trabalham em tempo integral. E aponta que, do total de empregados, 86% têm carteira assinada. De acordo com a sondagem, 40% têm entre quatro e nove empregados; 24% têm dois; 14% têm três; 9%, entre dez e 19; 9%, um; e 5%, 20 ou mais empregados. As empresas extintas com mais de quatro funcionários são as que menos fecham. O faturamento bruto anual dos pequenos negócios confirma a força do segmento no Estado, conforme o levantamento: 32% das micro e pequenas empresas registram faturamento anual de até R$ 60 mil; 22%, acima de R$ 60 mil até R$ 120 mil; 17%, acima de R$ 120 mil até R$ 360 mil; 7%, acima de R$ 360 mil até R$ 600 mil; 3%, acima de R$ 600 mil até R$ 840 mil; 2%, acima de R$ 840 mil até 1,08 milhão; 1% acima de R$ 1,08 milhão até R$ 1,2 milhão; e 2%, acima de 1,2 milhão. Catorze por cento dos entrevistados não souberam informar.

A maioria das micro e pequenas empresas em funcionamento no Paraná – 62% – é comandada por homens e 38% por mulheres. A faixa etária dos empresários varia. Oito por cento dos pequenos negócios têm, como proprietários,  empreendedores entre 18 e 24 anos; 14%, entre 25 e 29 anos; 39%, entre 30 e 39 anos; 22%, entre 40 e 49 anos; e 17%, com 50 anos ou mais. O grau de escolaridade dos empresários também foi medido: 2% têm até a 4ª série do ensino fundamental incompleto; 8% até a 8ª série do ensino fundamental incompleto; 15% têm ensino médio incompleto; 46% têm superior incompleto; e 29%, superior completo. Antes de abrir seus próprios negócios, 51% dos empresários foram funcionários de empresas privadas; 19% autônomos; 16% já eram empresários; 5% eram funcionários públicos; 4%, estudantes; 4%, donas de casas; e 1% atuava no mercado informal. Alguns dos motivos que levaram à constituição da empresa, apontados nas entrevistas, foram o desejo de ter o próprio negócio, identificação de uma oportunidade de negócio, desejo de aumentar renda e melhorar de vida, acúmulo de experiência anterior, influência de outras pessoas, capital disponível, desemprego, insatisfação no emprego.

Chave do sucesso

A pesquisa também confirma a importância de se investir em planejamento, uma das especialidades do Sebrae. Dos entrevistados, 88% dos empresários de pequenos negócios que não sobreviveram aos dois primeiros anos disseram não ter procurado qualquer serviço de desenvolvimento empresarial. O mesmo não ocorre dentre os empresários de pequenas empresas em funcionamento. Segundo a pesquisa, 49% buscaram serviços de desenvolvimento empresarial.

A maioria das micro e pequenas empresas no Paraná nasceu de investimentos saídos do bolso de seus empreendedores. De acordo com a pesquisa, 94% dos empresários de micro e pequenas empresas abriram seus negócios com recursos próprios, sendo que 74% tinham acima de 80% do dinheiro. A mesma tendência ocorre quando o tema é capital de giro: para colocar um pequeno negócio em funcionamento, 90% dos empresários pesquisados utilizaram recursos próprios. Do total, 76% tinham acima de 80% do dinheiro. "A pesquisa mostra também que o percentual apurado de recursos próprios para investimentos e capital de giro, nas empresas que acabaram fechando, foi menor. Quanto mais o empresário empresta, maior é o risco de mortalidade", observa o diretor superintendente do Sebrae no Paraná.

As empresas em funcionamento após dois anos, pesquisadas pelo Vox Populi, também informaram o perfil de clientes atendidos: 70% são clientes do varejo; 26% empresas privadas; 2% órgãos públicos; 1% central de compras; e 1% lojas de departamento. A participação das pequenas empresas paranaenses em cooperativas, franquias e associações de produção também foi mensurada e a pesquisa mostra que 89% não participam de qualquer tipo de rede associativa; 8% participam; e 3% não informam. "O Sebrae sempre reforçou a importância do associativismo, para o fortalecimento das micro e pequenas empresas, e a relevância da Lei Geral (da Micro e Pequena Empresa) como forma de ampliar o acesso a novos clientes, como o poder público. A globalização exige mais preparo, conhecimento e profissionalização. O associativismo pode ser uma forma inteligente de enfrentar a concorrência e conquistar novos mercados como o de compras governamentais. Exemplos de projetos, desenvolvidos com a parceria do Sebrae, comprovam isso, como o fortalecimento de pequenos supermercados, farmácias, construtoras e agroindústrias", avalia Campos Costa.

Crédito preferencial, com juros menores e prazos mais elásticos, tratamento tributário diferenciado, programas de treinamento pessoal, desburocratização para a abertura e fechamento de uma micro e pequena empresa, disponibilização de informações de mercado, programas de cooperativismo, acesso a compras governamentais e programas para facilitar as exportações foram as principais políticas de apoio reclamadas pelos empresários de pequenos negócios em funcionamento, na pesquisa.