A Petrobras deverá manter o preço da gasolina e do diesel congelados no curto prazo para ajudar o governo a conter a inflação, a despeito da disparada do petróleo no mercado internacional, afirmaram analistas.

Sem ajuste, os resultados da companhia no primeiro trimestre devem ficar próximos do registrado no último trimestre do ano passado, avaliam. Representantes da estatal não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

Especialistas que acompanham a Petrobras destacaram que apesar da necessidade de ajuste, principalmente no caso da gasolina, a expectativa é de que apenas no final do primeiro semestre seja feita alguma correção, isso se os preços externos continuarem a subir.

“A empresa defende esperar a estabilização dos preços internacionais para ajustar no mercado interno, política que adotou no ano passado quando houve o movimento inverso e foi beneficiada com isso”, disse a analista Mônica Araújo, da BES Securities.

Calculando uma defasagem de cerca de 20% para o preço interno da gasolina e de 6% para o óleo diesel – “mas que pode ser mais ou menos, depende o mercado externo que se olhe” -, a analista vê pontos negativos também para o governo com a atual política.

“Ajuda no controle da inflação mas terá reflexos negativos nos resultados financeiros já no primeiro trimestre, reduzindo a contribuição da estatal para o superávit do governo”, afirmou.

O mercado trabalha com uma projeção de lucro no primeiro trimestre próximo ao registrado no quarto trimestre do ano passado, de cerca de R$ 3 bilhões, refletindo uma estagnação que não será verificada em outras empresas do setor.