Petroleiros de todo o país fizeram um dia de paralisação, ontem. Eles protestaram contra a 10.ª Rodada de Licitações de Áreas Exploratórias da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Somente na Repar, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, 95% dos cerca de 900 trabalhadores cruzaram os braços, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC).

Nas outras unidades – de SC, Paranaguá, no litoral, e Usina do Xisto, em São Mateus do Sul – não houve paralisação, apenas atraso de quatro horas no início do expediente.

Em todo o País, cerca de 25 mil petroleiros paralisaram as atividades ontem, conforme dados da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Os trabalhadores são contra a atual legislação do petróleo, que permite que a ANP licite reservas em todo o país.

Desta forma, eles defendem o monopólio da Petrobras. Para o presidente do Sindipetro, Silvaney Bernardi, é importante que seja revista a política de royalties da exploração do petróleo.

“A partir do momento que a empresa passa a ter o direito de explorar o petróleo, o Brasil fica vulnerável no que diz respeito à extração, e essa empresa terá todo o controle social das riquezas”, disse Bernardi.

O sindicato teme pelas perdas que o País poderá ter com a concentração de riqueza nas mãos de empresas. “Se continuar assim, todo o petróleo que for retirado por uma empresa, por exemplo, poderá ser exportado. E aí nós perdemos”, completou.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Antônio Moraes, afirmou que a paralisação é um “recado” à ANP sobre a discordância dos petroleiros com a atual lei do petróleo. A FUP defende que, após as descobertas de reservas do pré-sal na Bacia de Santos, haja uma revisão do marco regulatório que impeça novas licitações.

A assessoria de imprensa da Repar informou que a paralisação não afetou a produção. Segundo a assessoria, o turno da noite da última segunda-feira não foi trocado.

Quem deveria sair às 23h30 de segunda-feira, por exemplo, permaneceu trabalhando fazendo horas-extras. Em nota, a Repar disse ainda que “a companhia possui planos de contingência para essas ocasiões”, o que não foi necessário ontem.

Bernardi reclamou que a empresa teria realizado “práticas anti-sindicais” desviando alguns ônibus de trabalhadores para que estes não participassem da mobilização.

Segundo a nota da Repar, alguns veículos foram desviados para entradas alternativas na tentativa de desafogar a entrada principal e evitar congestionamentos nas vias de acesso à refinaria, o que poderia trazer problemas na BR-476. A nota disse ainda que “a Petrobras reitera a posição de não interferir nas manifestações sindicais”.