Trabalhadores da Petrobras em diversas unidades de produção no Rio realizaram nesta terça-feira, 21, manifestações e assembleias preparatórias para a greve agendada para a próxima sexta-feira, dia 24. O objetivo das manifestações é criticar o programa de desinvestimentos da estatal, estimado em US$ 57,7 bilhões até 2018. Os manifestantes bloquearam o acesso às unidades, impediram o embarque em heliportos e também atrasaram o inicio dos turnos, conforme informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que reúne diversos sindicatos regionais e é ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Por volta de 5h, os portões de acesso ao Heliporto do Farol, em Campos (RJ), foram trancados por cerca de 200 sindicalistas, que bloquearam os embarques às plataformas no principal terminal a serviço da Petrobras. Os sindicalistas discursaram sobre o programa de desinvestimentos da companhia e sua saída em áreas consideradas estratégicas, como de gás e energia. O protesto estava previsto para durar até as 9h.

Também pela manhã, na Ilha do Governador, os trabalhadores lotados nos Terminais Aquaviários da Baía de Guanabara (TABG) realizaram assembleia em que foi ratificado o estado de greve da categoria e a paralisação na próxima sexta-feira. Houve discursos e panfletagem na porta do terminal, que teve o acesso e começo de turno atrasado no início da manhã. O terminal é responsável pelo abastecimento de gás canalizado no estado do Rio de Janeiro.

“A categoria está dando um grito de alerta contra a venda de ativos, as perda de direitos e as demissões de prestadores de serviços. Será uma grande paralisação, com adesão de efetivos e terceirizados sobretudo da área operacional. Nesta sexta-feira, não haverá parada de produção, mas faremos uma sinalização de que estamos dispostos a parar. Vamos esperar a resposta da empresa antes de uma decisão”, informou o diretor do Sindipetro no Rio, Emanuel Cancella.

Os sindicalistas também encaminharam à direção da estatal e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) um documento em que confirmam a paralisação agendada para a próxima sexta-feira, conforme deliberação das assembleias estaduais de trabalhadores. O documento lista as pautas do movimento grevista, como a manutenção de investimentos em campos maduros, continuidade das obras nas refinarias de Abreu e Lima (Rnest), Comperj e da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), e a “não abertura de capital de subsidiárias”, em referência à BR Distribuidora, que deverá ter ações negociadas no mercado até o final do ano.

“Por fim, a pauta exige que a Petrobras assuma pública e claramente sua plena condição e interesse em permanecer como operadora única dos campos do pré-sal”, diz o documento assinado pelo sindicalista Marcos Breda. Em outro trecho, o comunicado indica que as atividades relacionadas à produção “serão interrompidas em paradas técnicas”. “Entendem a FUP e seus sindicatos que uma interrupção de produção por tão curto prazo não compromete o atendimento das necessidades inadiáveis da população”, completa o documento.

Desde a última semana, diversas manifestações semelhantes estão sendo feitas diariamente nas unidades operacionais da Petrobras em todo o País. O terminal de Cabiúnas, em Campos, foi bloqueado na última quinta-feira. Ontem, na Bahia, os acessos às unidades também foram bloqueados por cerca de 700 trabalhadores.