O barril do petróleo cru para entrega em novembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou ontem cotado a US$ 48,35, alta de 3,4%. O barril disparou com a divulgação dos estoques de petróleo nos EUA. O Departamento de Energia dos EUA anunciou a retração de 9,1 milhões de barris nos estoques americanos da commodity na semana passada, 5% a menos que no mesmo período de 2003.

O resultado ficou abaixo do que esperavam analistas e investidores e vem depois de uma queda de 7,1 milhões de barris na semana anterior ao período pesquisado.

A produção das refinarias no golfo do México caíram em 8,5 milhões devido à interrupção das atividades em razão da passagem do furacão Ivan pela região. A produção diária ainda está 39% abaixo dos níveis normais.

A entrega das importações de petróleo nos portos do golfo do México também foi afetada, o que serviu como uma pressão a mais sobre os preços. As refinarias da região, no entanto, estão voltando ao ritmo normal de produção.

O temor de escassez do produto, contudo, não deixa os preços caírem. A cada notícia de problemas com a petrolífera russa Yukos, ou de ataques a oleodutos no Iraque, os preços voltam a disparar.

Preocupante

Um dia depois de o diretor de relações internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmar que o petróleo atingiu um novo patamar de preço, a secretária de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Forster, disse ontem que o atual preço do petróleo “preocupa muito”.

Segundo Forster, o preço do barril (agora acima de US$ 48) é fator de preocupação mesmo para um país auto-suficiente e exportador. A Petrobras estima que o Brasil se tornará auto-suficiente em 2006.

Apesar da perspectiva de preço alto por mais tempo, a secretária afirmou que qualquer decisão relacionada a mudança de preço é definida pela Petrobras.

“A Petrobras é que faz os ajustes, mas se você pergunta ao Ministério de Minas e Energia, o preço preocupa sob todos os aspectos da economia”, disse.

O último reajuste de gasolina das distribuidoras foi de 10,8% no dia 15 de junho. Somente em setembro, o preço do barril de petróleo em Nova York acumula uma alta superior a 6%.