A economia brasileira vai encolher este ano por causa dos efeitos da crise financeira global, segundo avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, grupo do qual o Brasil não faz parte). Em relatório divulgado hoje sobre a maior economia da América Latina, os técnicos da entidade estimam uma queda de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2009.

“A forte desaceleração na atividade, gerada pelos desdobramentos da crise global, provocará efeitos sobre o crescimento em 2009 e 2010”, escreveram os técnicos da OCDE em documento de 135 páginas, que avalia a situação da economia brasileira. “O PIB deve encolher em 2009, embora a demanda doméstica deva recuperar parte do dinamismo na segunda metade do ano e ao longo de 2010”.

Essa recuperação da demanda, puxada basicamente pelas políticas adotadas pelo governo brasileiro para ajudar a economia a evitar uma retração ainda maior, deve permitir que a taxa de crescimento em 2010 atinja 4%, estima a OCDE. Para a entidade, o consumo privado deve ganhar impulso por conta da melhora nas condições de crédito.

De acordo com a OCDE, o Banco Central (BC) ainda pode promover novos cortes da taxa básica de juros (Selic) no País, que atingiu no mês passado 9,25% ao ano. Futuros cortes na taxa, entretanto, “dependem da força do processo de recuperação da economia e da evolução das expectativas de inflação nos próximos meses”, afirmaram os técnicos da entidade, que congrega 30 países.

No documento, a entidade defende que o BC amplie o processo de redução dos recolhimentos compulsórios, mecanismo que obriga bancos a deixarem no BC parte dos depósitos em conta corrente, o que reduz o volume de dinheiro à disposição das instituições.

Em termos fiscais, a OCDE estima que o superávit primário (economia do governo brasileiro para o pagamento dos juros da dívida externa) vai atingir o equivalente a 2,3% do PIB em 2009, abaixo da meta fixada pelo governo em 2,5% do PIB. Para 2010, a estimativa está em linha com a meta traçada pelo governo, de 3,3%.

O Brasil também deve fechar o ano, segundo a OCDE, com um déficit em transações correntes de US$ 18 bilhões, o equivalente a 1,3% do PIB. Para 2010, a OCDE prevê um déficit de US$ 22 bilhões, ou 1,4% do PIB.

Inflação

A organização sugere ainda que o governo do Brasil reduza a meta de inflação a partir de 2011. Os técnicos defendem que as autoridades monetárias do Brasil deveriam considerar a possibilidade de perseguir uma meta de inflação mais baixa a partir de 2011, possivelmente com uma redução da margem de variação.

O relatório, entretanto, não especifica um porcentual para a meta e nem para a margem. Em junho deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) confirmou a meta de inflação para 2010 em 4,5% e estabeleceu a meta de 2011 também em 4,5%. Em ambos os casos, a margem de variação será de dois pontos porcentuais para cima e para baixo da meta.