O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES) espera uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas de uma nação) brasileiro de 5,5% em 2008, a despeito da crise das hipotecas de segunda linha (subprime) nos Estados Unidos, segundo o superintendente da área de pesquisas econômicas do banco, Ernani Teixeira Torres Filho, na publicação Visão do Desenvolvimento.

Segundo o economista, no Brasil, a crise do subprime também provocou, assim como nos Estados Unidos, uma ampliação no diferencial entre as projeções de crescimento para 2008 que, nas últimas semanas passaram a variar de menos de 3% a mais de 6%. Ele lembra que o último boletim Focus do Banco Central, divulgado ontem, aponta que o mercado financeiro espera, em média, que a economia cresça 4,5% em 2008, "um percentual que, tendo em vista o desempenho nos últimos trimestres, representaria uma certa desaceleração no crescimento do nível de atividade ao longo do ano".

Torres Filho acrescenta que "mesmo assim, o impacto direto do subprime não parece ser muito relevante". Segundo ele, no caso do BNDES, "nossas projeções apontam para um quadro de maior estabilidade do processo do crescimento em curso, sustentado por uma trajetória robusta de investimentos".

No que diz respeito especificamente à crise do subprime, o economista do BNDES avalia que "ainda está longe de seu fim". Ele argumenta que existe um estoque elevado desse tipo de empréstimo imobiliário que ainda irá enfrentar aumentos de prestações ao longo dos próximos dois anos. "Isto significa dizer que as perdas dos bancos, corretoras e companhias imobiliárias, particularmente nos EUA, devem subir ainda mais", avalia.

Torres Filho lembra que até o início de dezembro de 2007, as cifras oficiais de perdas reunidas somavam mais de US$ 70 bilhões. As estimativas, de instituições como o Deutsche Bank, segundo ele, é de que este total venha a superar os US$ 300 bilhões. "Trata-se de uma soma elevada, mas que, por si só, não parece ser suficiente para provocar uma crise financeira de proporções sistêmicas", afirma no relatório.

Para o economista, "uma das conseqüências mais claras da crise do subprime é o aumento da incerteza, o que se espelha em uma maior dispersão nas projeções sobre o desempenho da economia americana em 2008".